O Artigo

Ainda que a justiça dos homens não puna nossas
faltas, nada escapa a Deus

Após anos de sucesso, o concurso de artigos destinado a alunos, funcionários e professores foi, mais uma vez, lançado naquela famosa faculdade. Os alunos competiam entre si, mas os funcionários graduados concorriam com os professores. Naquele ano, um dos concorrentes do corpo docente soube de uma funcionária muito dedicada que, embora ela jamais houvesse participado do concurso antes, daquela vez seria sua vencedora, ainda que aquela fosse, também, a primeira vez que escreveria um artigo[1].
O prêmio para o vencedor era bastante generoso: três mil reais. Isso equivalia a dois meses de trabalho de Marcela, a concorrente imbatível. Assim mesmo, Genebaldo, professor de História da instituição promotora do concurso, resolvera participar. Afinal, no evento do ano anterior fora o vencedor, com o ensaio intitulado A ética na educação. Por isso mesmo, confiava na lisura de sua coordenadora. Entre professores e funcionários, havia mais de trinta participantes do certame.
Genebaldo trabalhava no mesmo departamento da exemplar funcionária, a quem devia favores mil, como o de conferir lançamentos de menções de seus alunos em diários, tirar cópias de exercícios e provas, fornecer materiais didáticos para suas aulas etc. É certo que havia outras secretárias e secretários no local, que faziam o mesmo serviço, mas a funcionária chefa de todos eles era Marcela. Sem sua autorização, nada de cópias, nada de material didático, nada de conferência de diários etc.
Dias antes de Marcela inscrever seu trabalho, a coordenadora do concurso saíra catando todos os artigos premiados dos anos anteriores e, como cedera alguns a Genebaldo, para que este os utilizasse com seus alunos no ensino de produção textual referente ao gênero, perguntou-lhe se o preclaro professor poderia devolver-lhe o material cedido, com o que este aquiesceu.
Numa bela manhã, após o encerramento das inscrições, uma colega de Marcela, que se chamava Larissa, muito querida por todos os colegas e professores, ao atender Genebaldo com o fornecimento de pincel para anotações no quadro branco, espontaneamente, disse-lhe o seguinte: “Professor, o resultado do concurso do qual o senhor participou deve sair na próxima semana, e a Marcela, que também participou, vai ser premiada como autora do melhor trabalho, pois a coordenadora do evento está ajudando-a. Esse será também um reconhecimento público à competência profissional da colega, que trabalha aqui há mais de dez anos e está meia endividada”.
“Como assim? O regulamento prevê autoria exclusiva, os artigos ainda nem foram avaliados e você já sabe quem vai ganhar? Não sabia que era médium clarividente, pois os dados dos concorrentes são sigilosos.”
“Não é nada disso, fessô. Acontece que a colega está passando uma grande dificuldade financeira e precisa do dinheiro para pagar suas dívidas. E ela merece…”
“Ah, sim, já entendi. Uma semana antes de serem avaliados todos os artigos e ser publicado o resultado do concurso, com os nomes dos ganhadores dos prêmios, há uma participante, mais você e a professora coordenadora do evento que estão cientes de quem será sua vencedora, na categoria professores e funcionários, não é isso mesmo? É justo, é justíssimo… Só não sei se os demais concorrentes, se souberem disso, também acharão justo.”
Na semana seguinte, Marcela foi declarada a vencedora do evento e, dias depois, falou, meio sem graça, a Genebaldo: “Pois é, professor, esta foi a primeira vez que participei do concurso e consegui o primeiro lugar… Muita sorte, né?”.
“Parabéns”, respondeu-lhe o professor, abraçando-a. “Você precisa…”
Mas não deixou de pensar: “Sorte nada, alto QI. Bem feito para nós, mestres, doutores e outros funcionários graduados que não soubemos escrever um bom artigo”.
Por coincidência, aquele foi o último ano do concurso. Como há coordenadores generosos neste mundo…
A história acima foi-nos contada por um professor nostálgico dos tempos em que já se pensou em uma educação voltada para formar hábitos saudáveis, respeito à ética, aos valores fundamentais do direito, dos bons costumes e da moral. “Infelizmente – dizia-nos ele – há muita gente que faz da teoria um meio de alcançar seus objetivos espúrios, sem nenhuma preocupação em reformular seus próprios princípios duvidosos e sem cogitar sobre as consequências do mau uso do livre-arbítrio em nossas curtas vidas na Terra.”
Segundo Allan Kardec, na questão 685-a de O Livro dos Espíritos, há um elemento, que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. Considerando-se a multidão de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de espantar as consequências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos.[2]
Infelizmente, algumas pessoas, quando investidas do poder temporal na Terra, deturpam, com seus atos, os valores mais elementares da ética, se desejam beneficiar as criaturas que estimam, com um paliativo para suas dificuldades financeiras, quando podem, perfeitamente, aumentar seus salários. Preferem fingir que premiam esse ou aquele com a criação de concursos fraudulentos do que respeitar o trabalho e o mérito de muitos outros que, ingenuamente, creem na lisura da avaliação de seus esforços.
Vemos, com indignação, em nossa sociedade contemporânea, tornarem-se comuns situações como a descrita na história acima, seja em concursos públicos ou na iniciativa privada. Difícil é provar a falta de lisura, ainda que isso fique evidente, pois, mesmo que o consigamos, tal “atrevimento” poderá implicar em nossa demissão, caso pertençamos ao quadro de funcionários da empresa.
Quando a educação tiver por norma criar hábitos saudáveis, preparar o caráter do educando para os benefícios perenes da prática do bem, do respeito aos direitos do próximo, tais ajudas antiéticas não mais terão lugar em nosso mundo. Para isso acontecer, é imprescindível que se invista na educação do espírito como um todo, não somente na formação de uma mente intelectual.
A educação, segundo o educador Edgar Morin, deve basear-se nos quatro pilares seguintes: aprender a ser, a conhecer, a fazer e a conviver[3]. Os bons e os maus exemplos sempre deixam suas marcas, por isso precisamos pensar seriamente em sua força e influência. “Quantos prosseguem ou quantos desistem, influenciados, quase sempre sem consciência do fato, pelos nossos exemplos bons ou maus”[4].
A verdadeira educação fundamenta-se na elevação moral do espírito eterno, base de todas as crenças. Ainda que muitos não creiam, a Lei de Deus retribui “a cada um segundo suas obras”, conforme os ensinamentos de Jesus confirmados pelo Espiritismo.
Quem hoje lesa alguém, amanhã será lesado igualmente. Os que não acreditam nisso fatalmente terão sua comprovação quando menos esperarem. Por isso, é importante que busquemos sempre o bem, sem jamais esquecermos que, diante de Deus, não existem privilégios entre seus filhos; e não nos cabe tomar-Lhe o lugar.
Lembremo-nos da recomendação de Jesus, para que, de futuro, não venhamos a sofrer as consequências do mau uso do nosso livre-arbítrio, tão negado pelos niilistas atuais, mas a mais certa verdade cristã, que nos esclarece sobre a existência da justiça de Deus na consciência de cada um de nós: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lhos também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mateus, cap. 6, v. 12).

[1] Todas as informações desta história têm por base dados e personagens fictícios.

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 75. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1994. p. 331.

[3] OLIVEIRA, Gladis P. A missão e os missionários. Porto Alegre: Francisco Spinelli, 2009. p. 167.

[4] Idem. p. 232.

Jorge Leite de Oliveira

As Grande Lutas

Muitas vezes, vivemos normalmente dez longos anos, conquistando patrimônios espirituais, para viver apenas dez minutos fugazes de modo extraordinário e excepcional.

São o “clímax da vida”, onde somos chamados às contas, na aferição de responsabilidades transferíveis e que, não raro, percebemos intuitivamente, a derramar lágrimas que pressagiam amargas lutas.

Aprendemos, dia a dia, a pouco e pouco, anos seguidos, o desprendimento de bens transitórios para enfrentarmos a prova do desapego maior em momentos breves; experimentamos, por vários lustros, a repetição, instante a instante, de um dever trivial para testarmos a própria perseverança, no epílogo desse ou daquele problema, aparentemente vulgar, mas de profunda significação em nosso destino; adquirimos forças íntimas vivendo toda uma encarnação a preparar-nos para a demonstração de coragem num minuto grave de testemunho…

Alpinistas da evolução, que destilam suor, de escarpa em escarpa, galgamos a montanha da experiência, adestrando-nos para transpor a garganta que nos escancara o abismo diante da tentação; estudantes comuns, nos currículos da existência, enceleiramos preciosos conhecimentos em cursos laboriosos de observação e trabalho, para superarmos a prova eliminatória, às vezes num só dia de sacrifício…

Estamos sempre, face à face, com a banca examinadora do mundo, pois onde formos aí seremos convocados à confissão de nossa fé e consequente valor moral. O minuto que se esvai é a nossa oportunidade valiosa; o lugar onde estamos é o anfiteatro de nossas lições contínuas.

Por isso, caminhar sem Jesus, nos domínios humanos, é sentir que a água não mata a sede, o alimento não sacia, a melodia não eleva, a página não edifica, a flor não perfuma, a luz não aquece… Entretanto, amparados no Cristo, todos somos autossuficientes, porquanto dispomos de apoio, esclarecimento e fortaleza em qualquer transe aflitivo com que a vida nos surpreenda.

O alento que a certeza da fé raciocinada nos proporciona transcende todas as consolações efêmeras que possamos auferir de vantagens terrenas, de vez que nos faculta trabalhar sem fadiga, ajudar sem esforço, sofrer sem ressentimento e rir engolindo pranto.

Marchemos assim, arrimados nos padrões do Divino Mestre sem que nos creiamos no pretenso direito de reclamar ou maldizer, tumultuar ou censurar.

Desistamos de reivindicações, privilégios, prêmios ou honrarias de superfície, porquanto urge aspirarmos à medalha invisível do dever retamente cumprido que nos brilhe na consciência, à coroa da paz que nos cinja os pensamentos e a carta-branca do livre arbítrio que nos amplie o campo de ação no bem puro.

Regozija-te, pois, se a tua fé vive analisada na intimidade do lar, combatida na oficina de trabalho, fustigada no círculo de amigos, fiscalizada na ribalta social ou testada no catre de sofrimento…

Somente conduzindo a nossa cruz de renúncia às gloríolas do século, com a serenidade da abnegação e com o sorriso da paciência, é que poderemos ser recompensados pelo triunfo sobre nós mesmos, nas rotas da Perfeita Alegria.

Cairbar Schutel, Francisco Cândido Xavier

Abrigo

Nas grandes calamidades que irrompem na Terra, cada criatura pode construir o seu próprio refúgio.

Comumente no mundo interpretamos por abrigo a fatia de espaço fechado que destinamos aos serviços de proteção e segurança.

Entretanto, embora respeitemos os redutos a que se acolhem as multidões nas horas de crise, buscando a preservação própria, consideramos que ainda mesmo segregada em forte redoma, do ponto de vista material, a pessoa humana não está livre da trombose ou da parada cardíaca, do colapso nervoso ou da tensão emocional. Isso nos induz a reconhecer que em qualquer situação difícil, muito acima dos lugares de privilégio, precisamos de apoio íntimo que nos faculte serenidade e discernimento; uma fortaleza na qual possamos colaborar dignamente na supressão do tumulto por fora, conservando a paz por dentro.

Não obteremos isso, porém, fugindo da realidade, mas enfrentando-a através da ação construtiva, de modo a descortinar-lhe todas as lições e aproveitá-las.

Nunca disporemos de asilo seguro, escondendo-nos em praias desertas, bojos metálicos, covas de pedra ou fumas da natureza.

O abrigo real de cada um está no íntimo de si mesmo.

A certeza de que não nos achamos sós nos campos do Universo, a confiança na sobrevivência do Espírito além da morte, a fé na sabedoria da vida, a aceitação do dever de praticar o bem e a dedicação à ordem são materiais dos mais importantes com que se constrói a cidadela da consciência tranquila.

À frente de semelhante verdade, não temas a ventania das paixões desencadeadas, quando as tempestades da renovação agitam a Terra.

Conserva a calma e confia no Poder Maior que te insuflou a força da vida. Calma, no entanto, não significa inércia. Define o estado íntimo de quem se prepara, a fim de fazer o melhor, sejam quais forem as circunstâncias.

Ora trabalhando e espera construindo.

E, convençamo-nos todos, em todas as eventualidades, de que o abrigo invulnerável está sempre em nós mesmos, quando aceitamos a responsabilidade de viver com base na justiça e na misericórdia de Deus.

Emmanuel   –  Francisco C. Xavier

A Doçura das Palavras

Quando ouvimos algo doce e sereno, os nossos ouvidos agradecem a
entonação afetuosa da fala e o nosso espírito se enche de paz e luz.
Por várias vezes teremos a oportunidade de exercitar em nós a doçura
das palavras, mas poucas vezes vamos nos propor a este exercício,
porque muitas vezes nos é mais cômodo a severidade das palavras,
do que a doçura em nossa fala.
Percebam que quando resolvemos nossas dificuldades medindo o que falamos,
pensando antes de falar, temos muito mais chances de sermos bem
sucedidos do que simplesmente falando severamente.
Coloque em tudo que fizer a doçura das palavras e
assim verá o quanto poderá modificar suas ações .

Autor Desconhecido

Classificação Dos Casamentos

Acidentais, Provacionais, Sacrificiais, Afins (afinidade superior) e Transcendentes.
Acidentais-Encontro de almas inferiorizadas, por efeito de atração momentânea, sem qualquer ascendente espiritual.
Provacionais-Reencontro de almas, para reajustes necessários à evolução de ambos.
Sacrificiais: Reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com o objetivo de redimi-la.
Afins: Reencontro de corações amigos, para consolidação de afetos.
Transcendentes: Almas engrandecidas no Bem e que se buscam para realizações imortais.
Evidentemente, o matrimônio, sagrado em suas origens, tem reunido no mesmo teto os mais variados tipos evolutivos, o que vem demonstrar que a união, na Terra, funciona, às vezes como meio de consolidação de laços de pura afinidade espiritual, e, noutros casos, em sua maioria, como instrumento de reajuste.
Em sua maioria, porém, os lares são cadinhos purificadores, onde, sob o calor de rudes provas e dolorosos testemunhos, Espíritos frágeis caminham, vagarosamente, na direção do Mais Alto.
Nos casamentos acidentais teremos aquelas pessoas que, defrontando-se um dia, se veem, se conhecem, se aproximam, surgindo, dai, o enlace acidental, sem qualquer ascendente espiritual.
Funcionou, apenas, o livre arbítrio, uma vez que por ele construímos cotidianamente o nosso destino.
Num mundo como o nosso tais casamentos são comuns.
Nem laços de simpatia, nem de desagrado.
Simplesmente almas que se encontraram, na confluência do caminho, e que, perante as leis humanas, uniram apenas os corpos.
Esses casamentos podem determinar o inicio de futuros encontros, noutras reencarnações.
Quanto aos provacionais, em que duas almas se reencontram em processo de reajustamento, necessário ao crescimento espiritual, esses são os mais frequentes.
A maioria dos casamentos obedece, sem nenhuma dúvida, a esse alvo.
Por isso existem tantos lares onde reina a desarmonia, onde impera a desconfiança, onde os conflitos morais se transformam, tantas vezes, em dolorosas tragédias.
Deus uniu-os, através das leis do Mundo, a fim de que, pelo convívio diário, a Lei Maior, da fraternidade, fosse por eles exercida nas lutas comuns.
A compreensão evangélica, a boa vontade, a tolerância e a humildade são virtudes que funcionam à maneira de suaves amortecedores.
O Espiritismo, pela soma de conhecimentos que espalha, tem sido meio eficiente para que muitos lares, construídos na base da provação, se reajustem e se consolidem, dando, assim, os primeiros passos na direção do Infinito Bem.
O Espírita esclarecido sabe que somente ele pagará as suas próprias dívidas.
Nenhum amigo espiritual modificará o curso das leis divinas, embora lhe seja possível estender os braços generosos aos que se curvam ante o peso de duras provas, entre as quatro silenciosas paredes de um lar.
O espírita esclarecido, homem ou mulher, aprende a renunciar, a benefício de sua paz e do seu reajuste.
E o faz, ainda, porque tem a inabalável certeza de que, se fugir hoje ao resgate, voltará, amanhã, na companhia daquele ou daquela de quem procura, agora, afastar-se.
A humildade, especialmente, tem um poder extraordinário de harmonização dos lares, convertendo-os, dentro da relatividade que assinala todas as manifestações da vida humana, em legítimos santuários onde o destino dos filhos possa plasmar-se nas exemplificações edificantes.
Os casamentos sacrificiais:
Esses reúnem almas possuidoras de virtude e sentimentos opostos.
É uma alma esclarecida, ou iluminada, que se propõe ajudar a que se atrasou na jornada ascencional.
Como a própria palavra indica, é casamento de sacrifício, para um dos cônjuges.
Não há regra para isso. Temos visto senhoras delicadíssimas, ternas e virtuosas, que se casam com homens ásperos e grosseiros, de sentimentos abjetos, do mesmo modo que existem homens, que são verdadeiras joias de bondade e compreensão, consorciados com mulheres de sentimentos inferiorizados.
Quem ama não pode ser feliz se deixou na retaguarda, torturado e sofrendo, o objeto de sua afeição.
Volta, então, e, na qualidade de esposo ou esposa, recebe o viajor retardado, a fim de, com o seu carinho e com a sua luz, estimular-lhe a caminhada.
É o vanguardeiro, compassivo, que renuncia aos júbilos cabíveis ao vencedor, e retorna à retaguarda de sofrimento para ajudar e servir.
O casamento sacrificial é em resumo, aquele em que um dos cônjuges se caracteriza pela elevação espiritual, e o outro pela condição evolutiva deficitária. O mais elevado concorda sempre em amparar o desajustado.
Assim sendo, a mulher ou o homem que escolhe companhia menos elevada deve (levar a cruz ao calvário), como se diz geralmente, porque, sem dúvida, se comprometeu na Espiritualidade a ser o cirineu de todas as horas.
O recuo, no caso, seria deserção a compromisso assumido.
Mais uma vez se evidencia o valor do Evangelho nos lares, como em toda parte, funcionando à maneira de estimulante da harmonia e construtor do entendimento.
Os casamentos denominados afins, no sentido superior, são os que reúnem almas esclarecidas e que muito se amam.
São espíritos que, pelo matrimônio, no doce reduto do lar consolidam velhos laços de afeição.
Os casamentos transcendentes.
São constituídos por almas engrandecidas no amor fraterno e que se reencontram, no plano físico, para as grandes realizações de interesse geral.
A vida desses casais encerra uma finalidade superior.
O ideal do bem lhes enche as horas e os minutos.
Todos nós passamos, ou passaremos ainda, segundo for o caso, por toda essa sequência de casamentos: acidentais, provacionais e sacrificiais, até alcançarmos no futuro, sob o sol de um novo dia, a condição de construirmos um lar terreno na base do idealismo transcendental ou da afinidade superior.
Enquanto não atingirmos tal situação, o Senhor, pelo seu Evangelho, irá enchendo de paz a nossa vida. E o espiritismo, abençoada Doutrina, repletará os nossos dias das mais sacrossantas esperanças…

Martins Peralva