Presença da Mulher

 

Belíssima página referente à decisiva influência da mulher na vida de um homem.

“(…) Uma mulher faz falta, e falta desesperadora, na existência de um homem. (…) Seja ela a mãe, a irmã, a esposa, a amante ou a simples criada, há horas na vida de um homem em que a mulher é tão necessária ao seu trato que ele se desorienta e amarga tristeza lhe penetra o coração, desanimando-o, se não a vê servindo-o nas suas mil necessidades cotidianas. Quando contamos apenas vinte ou trinta anos de idade e vivemos ainda ao lado de nossa mãe e irmãs, amparados por seus múltiplos desvelos, não sabemos dar à mulher o seu devido valor. Quando possuímos um lar e temos a esposa como esteio das nossas fraquezas, lenitivo das nossas preocupações e companhia fiel do nosso repouso, também não saberemos reconhecer o tesouro que sua presença representa na existência, onde lutas diárias se multiplicam ao nosso redor.

Possuídos do tradicional egoísmo, que torna o homem feroz, acreditamos que assim mesmo é que deve ser, que merecem tudo isso porque temos direito a tudo, e que elas, as mulheres não cumprem senão um restrito dever, qualquer que seja a sua condição no lar, aturando as nossas impertinências e ingratidões e nos adorando humildemente (…), não obstante o mau trato que recebe. Sondai, porém, o coração do homem que, por qualquer circunstância, vive só, desacompanhado dessa vigilância enternecida e passiva que sua mãe, sua esposa ou sua amante lhe concedem. Indagai dos sentimentos de um homem enfermo, que não encontra ao seu redor a mão suave e branca que lhe ajeite as cobertas no inverno, que lhe sirva e adoce o chá, como se o fizesse a uma criança, ou lhe alise os cabelos com ternura, tentando adormecê-lo. E, então, compreendereis que ele se sentirá o maior dos desgraçados, embora não o confesse jamais, porque o homem é orgulhoso sempre e não confessa que necessita do auxílio da mulher para sentir feliz.”
Fonte: Portal do Espírito, por Orson Peter Carrara.

 

Um mundo mais informado é um mundo menos violento

Talvez estejamos ficando melhores porque estamos ficando mais inteligentes, conclui o neurocientista Steven Pinker, professor da Universidade Harvard (EUA), após exaustiva pesquisa sobre a impressionante queda da violência humana nos últimos séculos.

A pesquisa do professor Pinker redundou em uma obra de mais de mil páginas intitulada Os anjos bons da nossa natureza, que, contrapondo-se ao senso comum, mostra que a violência em quase todas as escalas – na família, nos bairros, entre tribos e outras facções armadas e entre nações e Estados importantes – vem sofrendo evidente redução. O século XX não foi um mergulho permanente na perversidade. Ao contrário, a tendência moral duradoura deste século foi um humanismo avesso à violência que se iniciou nos século XVII e XVIII (“das Luzes”). Apesar das duas grandes guerras, as grandes potências mundiais não lutam entre si desde 1945. Um período de paz tão longo entre os Estados mais poderosos não tem precedentes.

Tal constatação não é resultado de uma opinião pessoal, mas de dados estatísticos indiscutíveis. O autor confessa seu assombro diante dos dados: viver na civilização reduz em cinco vezes as chances de uma pessoa ser vítima de violência. O lugar mais seguro na história humana, a Europa Ocidental, desde a virada do século XXI, vem tendo uma taxa de homicídios de um por 100 mil. No século XIV tal taxa era da ordem de 110 homicídios por 100 mil habitantes. A estarrecedora parcela de 26% dos homens aristocratas morria por violência nos séculos XIV e XV. A taxa caiu para a casa de um dígito na virada do século XVIII, e hoje, obviamente, está quase zerada. A Inglaterra do século XX era 95% menos violenta do que do século XIV. Uma cultura da honra – a prontidão para vingar-se – deu lugar a uma cultura da dignidade – a prontidão para controlar as emoções.

No decorrer de pouco mais de um século, práticas cruéis que por milênios haviam sido parte da civilização foram subitamente abolidas, como a execução de bruxos, a tortura oficial de prisioneiros e a perseguição a hereges e estrangeiros. As revoluções por direitos nas últimas décadas mudaram, de forma radical, a forma de ver e se conduzir diante das mulheres e crianças, dos negros, dos animais e dos homossexuais. O fim de grande parte das ditaduras militares ou civis acompanhou essas revoluções liberais. Do mesmo modo que fumar em escritórios e salas de aula passou de coisa comum a proibida e depois a impensável, práticas como a escravidão e o enforcamento público tornam-se tão inimagináveis que nem sequer são assuntos de debate.

O que mudou no ambiente das pessoas que poderia ter desencadeado tal revolução humanitária? Ao analisar as causas do fenômeno, o autor acredita que a mais abrangente mudança nas sensibilidades comuns deixada por essa revolução é a reação ao sofrimento de outros seres vivos. As pessoas de hoje estão longe de ser moralmente imaculadas, mas a maioria não tem vontade alguma de ver um cão e muito menos uma pessoa, morrer queimado.

E o que teria levado a isso? Steven Pinker relaciona várias causas, mas chama a nossa atenção para uma delas: o aumento na produção de livros, o hábito da leitura, o esclarecimento e o incremento das informações, além de um notável aprimoramento do raciocínio abstrato, verificado nos testes de QI, realizados nas últimas décadas.

Afirma o autor citado que a expansão da mente, decorrente de boas leituras deve ter adicionado uma dose de humanitarismo às emoções e crenças das pessoas. Ler é uma tecnologia para mudança de perspectiva. Quando nós temos na cabeça os pensamentos de outra pessoa, observamos o mundo do ponto de vista dessa pessoa, o que nos seduz a pensar e sentir como pessoas muito diferentes de nós mesmos. Revisitem o que deu errado no mundo Islâmico, opina o professor Pinker, pode ter sido a rejeição à imprensa escrita e a resistência à importação de livros e ideias neles contidos.

A difusão de boas ideias resulta em reformas que reduzem a violência por vários caminhos. O mais óbvio é o desmascaramento da ignorância e da superstição. Cita Voltaire quando afirma que aqueles que conseguem fazer você acreditar em absurdos podem fazer você cometer atrocidades. Outro caminho é um incremento dos convites à adoção dos pontos de vista de gente diferente de nós, acelerando o processo de tolerância nas relações humanas.

Existe um terceiro caminho pelo qual a informação pode fecundar o progresso moral: incrementando o progresso tecnológico e a melhoria das condições de vida das pessoas. Sociedades tecnologicamente atrasadas tendem a ser moralmente atrasadas também.

As conclusões de Steve Pinker são admiravelmente coincidentes com o pensamento Kardequiano, embora a distância de mais de 150 anos entre os dois pensadores.

No que se refere à queda dos índices de violência, Kardec provocou os Espíritos, indagando: como é bastante grande a perversidade do homem, não parece que, pelo menos do ponto de vista moral, ele, em vez de avançar, caminha aos recuos?

A resposta dos Espíritos, conforme se lê no item 784 de O Livro dos Espíritos, é essa: – “Enganas-te. Observa bem o conjunto e verás que o homem se adianta, pois que melhor compreende o que é mal, e vai dia a dia reprimindo os abusos”.

No que tange à importância do desenvolvimento tecnológico no desenvolvimento dos caracteres morais, os Espíritos foram igualmente concordantes com o autor que ora visitamos, pois quando Allan Kardec indaga se o progresso moral acompanha sempre o progresso Intelectual, eles respondem:

– “Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente”. (O Livro dos Espíritos, item 780.)

E acrescentam que pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos. (O Livro dos Espíritos, item 781)

Numa bela análise das reformas em processo na Terra, Kardec, no último capítulo do livro A Gênese, revalida o pensamento apresentado pelos Benfeitores em O Livro dos Espíritos, conforme as anotações abaixo:

Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra. Depois de se haver, de certo modo, considerado todo o bem-estar material, produto da inteligência, logra-se compreender que o complemento desse bem-estar somente pode achar-se no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, tanto mais se sente o que falta, sem que, entretanto, se possa ainda definir claramente o que seja: é isso efeito do trabalho íntimo que se opera em prol da regeneração. Surgem desejos, aspirações, que são como que o pressentimento de um estado melhor.

Lembra, todavia, o nosso Codificador, que há muito que ser feito, pois falta a essas reformas uma base que permita se desenvolvam, completem e consolidem; falta uma predisposição moral mais generalizada, para fazer que elas frutifiquem e que as massas as acolham.

Refere-se Kardec ao papel da fé raciocinada, da crença fundamentada na razão e em uma espiritualidade que seja elemento de construção de mais fraternidade, entendimento e boa vontade entre os homens:

A destruição do materialismo, que é uma das chagas da sociedade. O Espiritismo pode fazer com que os homens compreendam onde estão seus verdadeiros interesses. Como a vida futura não mais será velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que pode garantir seu futuro por meio do presente. Destruindo os preconceitos de seitas, castas e cores, o Espiritismo ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos. (O Livro dos Espíritos, item 799.)

Ricardo Baesso de Oliveira

Carnaval em Salvador… muitas pessoas do mesmo sexo beijando-se…

Como é do conhecimento de alguns, atualmente resido em Salvador BA. Então, aproveitei a facilidade geográfica e ontem fui ao carnaval no circuito Barra-Ondina.
Gostei muito, para quem escreve sugiro que não perca ao menos uma noite da festa.
Quanto a sair do ambiente contaminado e perseguindo por Espíritos obsessores, não creio nisso. Vai muito de nossa postura e comportamento. Caso o ambiente exercesse papel primordial em alguém, deixando-o vulnerável aos Espíritos obsessores, não poderíamos visitar Brasília.

Vi de tudo um pouco. Brigas, casais apaixonados, beijos eventuais, homem beijando homem numa proporção muito maior do que mulher beijando mulher.
Nesta semana proferi palestra sobre A Lei de Reprodução. Achei muito interessante a questão de número 695 de O Livro dos Espíritos, em que Kardec indaga os Espíritos em referência ao casamento.
Indaga o codificador:

O casamento, quer dizer, a união entre dois seres é contrária a lei da Natureza? Intrigante a indagação, pois Kardec fala sobre a união de dois seres e nada diz sobre união de sexo oposto. Apenas dois seres.

Curioso para saber se não houve interpretação diversa do tradutor, fui buscar um exemplar em francês e encontro a mesma coisa, ou seja, Kardec realmente indaga sobre a união de dois seres, sem citar se deveriam, necessariamente, serem homens ou mulheres.
Os Espíritos respondem que é um progresso na marcha da humanidade a união de dois seres. Também nada falam sobre serem de sexo oposto. A resposta não deixa dúvida: quando duas almas decidem amarem-se, porque repito, o amor é uma decisão, é o progresso chegando na vida dessas pessoas.

Independentemente de onde tenham se conhecido ou se vestem roupa carnal do sexo oposto, quando dois seres resolvem marchar juntos, amando-se e olhando na mesma direção, apoiando-se mutuamente, eis ai o progresso…

Dirão alguns:
Mas e a família? Onde fica a família nesta questão, até porque os Espíritos informam que se os laços de família afrouxarem-se haverá o aumento do egoísmo.
Afirmo que família é algo muito mais amplo do que papai, mamãe e filhinhos habitando o mesmo teto.

Família é amor, união, renúncia, sentimentos estes que não dependem de sexo, habitar a mesma casa ou convenções de outros gêneros.
Lamentável, pois, toda e qualquer forma de preconceito, se o beijo de alguém me incomoda devo olhar-me no espelho e indagar:
Por quê?

Autor:

Wellington Balbo (Salvador – SP) é membro da Rede Amigo Espírita

Tolerância e respeito

A diversidade religiosa é uma das marcantes características culturais que assinala a humanidade. São milhares de denominações que definem religiões e seitas, reunindo, em todos os pontos da Terra, seguidores de todos os credos.

Essa pluralidade de crenças, em conjunto com a diversidade étnica, torna as relações entre os povos ainda mais complexas, sendo responsável por inenarráveis conflitos que envolvem o homem desde os primórdios.

Recentemente o Rio de Janeiro foi palco de um episódio de grande desrespeito e intolerância religiosa, com agressões verbais e apedrejamento de uma criança de apenas onze anos, conforme relata a revista Isto é, em nota cujo título é “Pedrada do preconceito” (1).

Neta de espírita e filha de evangélica, a estudante Kayllane Campos tem em sua casa uma amostra da saudável tolerância religiosa que existe no Rio de Janeiro, desde que o candomblé, vindo da África, ancorou no bairro carioca da Saúde em 1886 e nele abrigou os primeiros cultos organizados por Mãe Aninha, congregando diversas religiões. Nada tem a ver com a tradição do Rio de Janeiro, portanto, as covardes agressões que a adolescente Kayllane, 11 anos de idade, sofreu na semana passada devido à sua fé. Ela foi apedrejada por dois supostos evangélicos quando saía de um culto de candomblé, e novamente se tornou vítima de violência, dessa vez verbal, quando chegava ao IML para exame de corpo de delito – “macumbeira, macumbeira, vá queimar no inferno”, gritavam insistentemente algumas pessoas. “Quem tacou pedra é vândalo que se esconde atrás da palavra de Cristo”, diz Karina Coelho, a evangélica que é mãe da praticante do candomblé Kayllane. “Eu condeno as pessoas que feriram minha filha”.

O que leva o homem a manifestar esse comportamento? Por que a diversidade de credos paradoxalmente levanta contendas, quando as religiões deveriam ter, por princípios fundamentais, a ética da tolerância, a caridade, o respeito, o amor fraterno, a compreensão e a paz?

As contendas político-religiosas são antigas, e a história registra perseguições implacáveis, desrespeito aos direitos mais básicos do homem e execuções cruéis, como as relatadas no Antigo Testamento, que marcam a rivalidade entre os profetas de Baal e Elias(2). Em todos os momentos da história da humanidade está presente a concepção dualística, que tenta estruturar o mundo à semelhança de uma balança que oscila na eterna batalha entre o bem e o mal, ou entre o mito de Satã e Deus.

A Idade Média é pródiga na propugnação dessa ideia, e as cruzadas representam um marco desse pensamento, pois registram episódios sórdidos, como o impiedoso extermínio dos cátaros ou albigenses, que deixou marcas atrozes de uma perseguição insana, fundamentada nos interesses e preconceitos da Igreja antiga, a qual definiu o catarismo como heresia maniqueísta.

São muitos os episódios de intolerância religiosa ocorridos no período que compreendeu a Idade Média, culminando com o Tratado de Paz de Westphalia (região do norte da Alemanha) que veio laureado por um antigo princípio: cujus regio, eius religio (quem tem a região tem a religião). Esse princípio marca a assinatura do Tratado, ocorrido em 1648, que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos, conflito que, por sua vez, teve por estopim a rivalidade política existente entre o Imperador Habsburgo, do Sacro Império Romano-Germânico (católicos) e as cidades-Estado comerciais protestantes (luteranas e calvinistas) do norte da Alemanha, que fugiram ao seu controle.

A Paz de Westphalia garantiu, portanto, o direito de cada Estado manter seu regime e religião, sem interferência externa.

Esses acontecimentos, entretanto, não encerram os episódios de intolerância, embora tenham estabelecido o princípio de tolerância e liberdade religiosa.

Incomodado com essa questão, o filósofo jusnaturalista inglês, John Locke (1632 – 1704) resolve, em 1689, publicar uma carta acerca da intolerância (3), quando passa a defender a tolerância religiosa a partir da separação de Estado e Igreja, esclarecendo, de forma irrefutável, qual é o principal distintivo de uma verdadeira igreja, bem como o do verdadeiro homem de bem, digno de ser chamado cristão:

Se um homem possui todas aquelas coisas (bens materiais), mas lhe faltar caridade, brandura e boa vontade para com todos os homens, mesmo para com os que não forem cristãos, ele não corresponde ao que é um cristão.

E continua Locke, a nos ensinar acerca da tolerância religiosa:

Quem for descuidado com sua própria salvação dificilmente persuadirá o público de que está extremamente preocupado com a de outrem. Ninguém pode sinceramente lutar com toda a sua força para tornar outras pessoas cristãs, se não tiver realmente abraçado a religião cristã em seu próprio coração. Se se acredita no Evangelho e nos apóstolos, ninguém pode ser cristão sem caridade, e sem a fé que age, não pela força, mas pelo amor (4).

Os ensinamentos de John Locke corroboram com o pensamento de Allan Kardec, no resgate à aplicação da tolerância e do respeito, conforme lecionou o Mestre Jesus.

Fundamentado na ética do amor, que marca a mensagem do Cristo, o Codificador realça, com o ensino dos Espíritos, na mais pura acepção, o significado valorativo de tolerância e respeito, em O Livro dos Espíritos, quando fala da Lei de Igualdade (5). Esta Lei estabelece respeito como sendo uma atitude que consiste em não prejudicar alguém ou alguma coisa, evocando, assim, a regra de ouro que deveria nortear as relações entre os homens:

822. Sendo iguais perante a lei de Deus, devem os homens ser iguais também perante as leis humanas?

“O primeiro princípio de justiça é este: Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fizessem”.

O mestre lionês não apenas teoriza, mas exemplifica tolerância e respeito, ao superar com grandeza os ataques feitos ao Espiritismo, soprando, para bem distante, as cinzas do Auto de Barcelona, aconselhando-nos (6):

O Espiritismo se dirige aos que não creem ou que duvidam, e não aos que têm fé e a quem essa fé é suficiente; ele não diz a ninguém que renuncie às suas crenças para adotar as nossas, e nisto é consequente com os princípios de tolerância e de liberdade de consciência que professa. Por esse motivo não poderíamos aprovar as tentativas feitas por certas pessoas para converter às nossas ideias o clero, de qualquer comunhão que seja. Repetiremos, pois, a todos os espíritas: acolhei com solicitude os homens de boa vontade; oferecei a luz aos que a procuram, porque com os que creem não sereis bem-sucedidos; não façais violência à fé de ninguém, muito mais quanto ao clero que aos seculares, porque semeareis em campos áridos; ponde a luz em evidência, para que a vejam os que quiserem ver; mostrai os frutos da árvore e deles dai de comer aos que têm fome e não aos que se dizem saciados.

Ao tratar da Constituição Transitória do Espiritismo (7), Kardec aproveita para enfatizar o tema respeito e tolerância, exprimindo argumentos que marcam a robustez da Doutrina Espírita:

Acrescentemos que a tolerância, fruto da caridade, que constitui a base da moral espírita, lhe impõe como um dever respeitar todas as crenças. Querendo ser aceita livremente, por convicção e não por constrangimento, proclamando a liberdade de consciência um direito natural imprescritível, diz: Se tenho razão, todos acabarão por pensar como eu; se estou em erro, acabarei por pensar como os outros. Em virtude destes princípios, não atirando pedras a ninguém, ela nenhum pretexto dará para represálias e deixará aos dissidentes toda a responsabilidade de suas palavras e de seus atos.

Fica-nos claro, portanto, que a tolerância exige o respeito à regra de ouro presente na Questão 822 de O Livro dos Espíritos, mas entendemos que ela não é suficiente por ter características de uma virtude passiva: é necessário ir além do tolerar. É preciso amar o próximo como recomenda Jesus, e romper com os limites que estabelecemos para apenar alguém, como estabelece Pedro, ao perguntar ao Mestre: “Quantas vezes devo perdoar meu irmão? Sete vezes?”.

Sabemos que o excesso de tolerância leva à indiferença e a ausência da tolerância leva à intolerância, mas, quando respeitamos o próximo, nós o amamos, e o amar é ativo, pois nos convida a romper os limites, conforme ensina Jesus: “Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas” (8).

Cumprir a primeira milha é não fazer o mal ao próximo, cumprindo nossa obrigação de cristão. Cumprir a segunda milha consiste em amar o próximo para alcançar a elevação.

Referências:

Revista Istoé – 24 de junho de 2015, nº 2377, Ed. Três
A Bíblia de Jerusalém – 1º Reis 18: 1/40 – Edições Paulinas
LOCKE, John – Coleção “Os Pensadores” – Abril Cultural – pág. 03-39
Idem LOCKE, John
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos – Feb
KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1863 (pág. 367) – Feb
KARDEC, Allan. (Revista Espírita 1868, pag. 515) – Feb
A Bíblia de Jerusalém – Mateus 5, vv.41 – Edições Paulinas.

Artigos Internet

Dossiê Intolerância Religiosa – http://intoleranciareligiosadossie.blogspot.com.br/
A nova ordem global – http://educaterra.terra.com.br/vizentini/artigos/artigo_75.htm

 

Transcrito de: “Brasília Espírita”, GEABL, no.198, janeiro-fevereiro de 2016

Warwick Mota