Condução dos Nossos Pensamentos

“A Mente é um macaco louco pulando de galho em galho”. O que equivale dizer que nossos pensamentos estão desordenados, muitas vezes em convulsão, quando conversamos fazemos “colcha de retalhos”.

Você concordaria com a afirmação de que normalmente não conseguimos centrar a nossa conversação em um só assunto. Quero dizer interrompemos o nosso raciocínio e enveredamos por outro assunto ou suspendemos a nossa exposição para darmos atenção a algo que está fora do tema presente.

Quanta energia dissipada tentando se atentar para tudo e não atendendo a nada! Isto se deve a forma de conduzir nossos pensamentos. Nós não aprendemos a parar de pensar no sentido meditativo.

A massificação nos bombardeia com idéias e estímulos que dominam as nossas características competitivas e nós não queremos perder, pois que senão seremos ultrapassados e a “vida é curta” “é uma só”, sob o ponto de vista materialista ou de algumas ideologias.

Diz-se em auto-reprogramação-humana (ARH), que esta é uma característica do pensamento-horizontal. O Pensamento-Horizontal desvia o nosso foco do que acontece em nós e no meio ambiente que nos rodeia, divide o tempo e também nos divide: ou/ora vivemos no passado; ou/ora no presente; ou/ora no futuro.

Viver no passado “no meu tempo” é uma característica da Mente-velha, retrograda, limitada, sem aspiração, fator de depressão. As pessoas idosas têm fortíssima tendência a viver no passado.

Os que pensam mais na atualidade, em geral os de meia idade e também boa parte dos jovens, expoem-se a impulsividade, pelo querer aproveitar tudo ao máximo da vida, o que os tornam intempestivos ou ansiosos e quando não conseguem caem no oposto, tédio (fossa) e passividade. Acontece um evento musical, um festival de cinema, e querem ver tudo ao mesmo tempo, faltam aulas e serviço ou deixam tudo pela metade e se não conseguem, sentem-se frustrados.

Já os que pensam mais no futuro em geral a juventude, ficam sujeitos a ansiedade e a fantasia. O medo do que vai ainda acontecer pode tornar-se mórbido e causar alienação. A competição pode gerar distúrbios emocionais que afetam sensivelmente a personalidade em formação, criando gerações neuróticas e paranóicas como já é o caso da juventude de alguns paises ditos de primeiro mundo. Hoje a depressão jovem já é fato.

Na linha do Pensamento-Vertical temos a atenção voltada ao máximo para a percepção da realidade interna e externa do que estamos vivenciando no momento. É o que Dr Nilson Ruiz Sanches chama em seu livro ARH-Auto-reprogramação Humana, de “presentificação” do pensamento, não quer dizer absolutamente fato momentoso e sim, AGORA, MOMENTO, da meditação.

O Pensamento-Vertical, o Momento, o Agora, aciona o Pensamento Racional e o Pensamento Intuitivo e aditaria o Pensamento Inspirado.

O Pensamento-Vertical nos coloca da melhor maneira dentro do contexto. Desenvolve o “músculo da atenção” favorecendo a concentração e a percepção da realidade interna, do momento envolto, da família, do grupo social, do mundo.

Auto analizando-se e ‘presentificando-se’; realizando visualizações e abrindo a mente para o mundo espiritual (novos paradigmas para muitos), o ser humano se coloca inteiramente dentro do contexto em nível de Consciência Superior, queremos dizer Racional e Intuitivo Superiores.

Temos uma forma racional de pensar em nível de consciência inferior, o estado de sono e o superior em que o ser, centrado em si, faz o “nível de consciência de si”.

Consciência de si é aquele nível no qual o ser humano deixou de ser apenas máquina, pois que conseguiu o “total controle da máquina”.

Valdomiro Halvei Barcellos

O Campo de Força das Idéias

Participo de debates periódicos, no Centro Espírita Léon Denis, com o objetivo de organizar o Encontro Espírita de Medicina Espiritual, realizado uma vez por ano. Em uma dessas reuniões, consultamos o coordenador espiritual do evento, Ignácio Bittencourt, que confirmou, através do médium (AltivoPamphiro), a existência de camadas perispirituais, que ele denominou de “campos de forças”.

Pergunta ? O fluido cósmico universal é o estado mais puro da matéria. Os espíritos já nos revelaram também que o perispírito de uma entidade superior é formado dessa matéria sutilíssima. Sabemos ainda que existem corpos intermediários entre o corpo físico e a alma. O que mais nos pode revelar a esse respeito?

Ignácio ? Saibam que existem campos de força envolvendo o perispírito.

 Seriam, por acaso, os campos eletromagnéticos, que a Ciência começa a desvendar?

A Ciência está chegando perto. Vou exemplificar: no ambiente de trabalho, a criatura humana tem um campo de força apropriado para aquele tipo de atividade. O campo é diferente, na mesma pessoa, quando está em casa. Quando sai de casa e vai ao centro espírita, envolve-se em outro campo de força, apropriado à nova circunstância. As idéias mais fortes e persistentes sensibilizam o perispírito e formam campos de força. Se as idéias mudam, se o ambiente muda, muda também o campo de força.

 Quem cria este campo?

O espírito é um ser que pensa e é natural que os pensamentos o envolvam em camadas.

 É o que André Luiz chama de psicosfera?

É uma outra palavra para definir o mesmo fenômeno.

 Se entendemos bem, o campo de força adapta-se aos ambientes e às circunstâncias?

Exatamente.

Quem é o foco?  O espírito. Quando um pesquisador espírita reflete sobre a dualidade espírito-perispírito, normalmente imagina uma massa compacta, indissociável. Não é tão simples assim. O perispírito é constituído de diversas camadas.

A psicosfera ou campo de força resulta dos pensamentos que emitimos, os quais se agrupam por afinidade e ocupam posições distintas e específicas. Ao desencarnarmos, mantemos esses campos, que continuam expressando os nossos ideais mais íntimos, de tal forma que representam nossa identidade espiritual.

Quando encarnados, somos reconhecidos por espírito e por alguns médiuns, se têm poder de penetração nesses campos de força. Dessa forma, percebem nossas características, como se estivessem diante de um livro aberto.

Tal percepção pode ser menor ou maior, de acordo com a necessidade e utilidade. A leitura também não é instantânea, nem para o espírito desencarnado. A privacidade é respeitada, o que nos permite dizer que o médium ou o espírito desencarnado vêem somente o que pode ser visto.

Como entender essas camadas de pensamentos, associando-as com as camadas perispirituais?

Para evitar confusão, sintetizamos os conceitos:

As camadas perispirituais são as partes que compõem o nosso perispírito. É o fluido caminhando desde o fluido cósmico universal até a matéria mais condensada, com as suas várias gradações, estabelecendo o contato entre o espírito e o corpo físico.

Os campos de força dos nossos pensamentos não fazem parte do perispírito. São como programas de computador, com seus diversos arquivos gravados no disco rígido, com endereços específicos, que nos permitem acessá-los quando necessário. Os pensamentos, as idéias, tal qual os programas e arquivos colocados na memória RAM do computador, são também descartáveis. Isto é válido tanto para o espírito encarnado quanto para o desencarnado.

Na regressão de memória, o agente indutor acessa tais arquivos, como quem seleciona uma faixa musical em um CD. As lembranças vêm sem se misturarem umas com as outras, à medida que conduz o paciente ao endereço correto (um determinado momento de sua vida).
Paulo Nagae

Uma Visão Espírita do Homossexualismo sem o Dissimulado Purismo Cristão

As múltiplas experiências humanas pela reencarnação e os repetidos contatos com ambos os sexos proporcionam ao espírito as tendências sexuais na feminilidade ou masculinidade, e este reencarna com ambas as polaridades e se junge, às vezes, contrariado aos impositivos da anatomia genital e ao da educação sexual que acolhe em seu ambiente cultural. Consoante essas experiências, tenderá para qualquer das duas opções e o fará nem sempre de acordo com sua aspiração interior, que poderá ser inversa ao que determina o meio socio-cultural.

Emmanuel ensina na obra “Vida e Sexo” que o “Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.”(1) Além disso, há vários fatores educacionais que poderiam contribuir para despertar no indivíduo as tendências sepultadas nas profundezas de seu inconsciente espiritual. E, ainda que desempenhe papéis de acordo com a sua anatomia genital, e que seu psiquismo se constitua de acordo com sua opção sexual, poderá ocorrer que se desperte com desejos de ter experiências com pessoas do mesmo sexo. Tal ocorrência poderá lhe tumultuar a consciência, caracterizando, por aquele motivo, um transtorno psíquico-emocional.

A convivência do espírito com o sexo oposto ao que adotou em cada encarnação, bem como aquelas em que exerceu sua opção sexual, irão plasmar em seu psiquismo as tendências típicas de cada polaridade. Explica Emmanuel: “A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.”(2)

Na questão 202 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga aos Espíritos: “Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?” “Isso pouco lhe importa”, responderam os Benfeitores, “o que o guia na escolha são as provas por que haja de passar”(3), esclareceram os Espíritos.

A genética tem tentado encontrar genes que explicariam a homossexualidade como sendo desvio de comportamento sexual. A psiquiatria tenta encontrar enzimas cerebrais que poderiam influenciar no comportamento sexual. Alguns sexólogos explicam que é uma preferência sexual. Mas a sede real do sexo não se acha no veículo físico, porém na estrutura complexa do espírito. É por esse prisma que devemos encarar as questões relacionadas ao sexo. “A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos”.(4)

Não podemos confundir homossexualismo com desvio de caráter, até porque os deslizes sexuais de qualquer tendência têm procedências diversas. Suas raízes genésicas podem vir de profundidades íntimas insondáveis. “A própria filogênese(5) do sexo, que começa aparentemente no reino mineral, passando pelo vegetal e ao animal, para depois chegar ao homem, apresenta enorme variação de formas, inclusive a autogênese [geração espontânea] dos vírus e das células e a bissexualidade dos hermafroditas”(6), para alguns pesquisadores justifica o aparecimento de desvios sexuais congênitos.

Com a liberação sexual e a ascensão do feminino na sociedade contemporânea, a tolerância ao homossexualismo aumentou, permitindo que uma grande quantidade de pessoas que viviam no anonimato se expressasse naturalmente. Chico Xavier explica, de forma clara, o seguinte: “Não vejo pessoalmente qualquer motivo para críticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais às tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impediria certo numero de pessoas de trabalhar e de serem úteis à vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria. (…) Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providencia lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?”(7)

A Doutrina Espírita é libertadora por excelência. Ela não tem o caráter tacanho de impor seus postulados às criaturas, tornando-as infelizes e deprimidas. A energia sexual pede equilíbrio no uso e não abuso ou repressão. A Doutrina Espírita não condena a homossexualidade, contrariamente, recomenda-nos o respeito e fraterna compreensão para com os que têm preferências homoafetivas. Muitas vezes, pode até ser alguém tangido pelo apelo permissivo que explode das águas tóxicas do exacerbado erotismo, somado aos diversos incentivadores pseudocientíficos da depravação, que podem estar desestruturando seu sincero projeto de edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada.(8) Por isso mesmo, não pode ser discriminado, nem rejeitado, pois, como admoesta Jesus, “aquele dentre vós que não tiver pecados, que atire a primeira pedra”…(9)

Como já vimos com Emmanuel no início desta exposição, não há masculinidade plena, nem plena feminilidade na Terra. Tanto a mulher tem algo de viril, quanto o homem de feminil. Antigamente, a educação muito rígida e repressiva contribuía para enquadrar o indivíduo ambisséxuo, em seu sexo natural.

Assumir a homossexualidade não significa mergulhar em um universo de atitudes extremadas e desafiadoras perante seu grupo de relacionamento familiar ou profissional, “mas fazer um profundo exercício de auto-aceitação, asserenar-se por dentro, a fim de poder reconhecer perante si mesmo e todo seu círculo de amigos e parentes que vives uma situação conflitante. O verdadeiro desafio é a construção interna para superar os desejos. E não estamos aqui referindo-nos exclusivamente a desejo sexual e sim a toda espécie de desejos que comandam a vida das criaturas.”(10)

Emmanuel enfatiza que: “O mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie [homossexual], somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade devidos às criaturas heterossexuais.”(11) O homossexualismo não deve, pois, ser classificado como uma psicopatia ou comportamento merecedor de discriminação ou medidas repressivas. O homossexual, especialmente o “transexual”, merece toda a nossa compreensão e ajuda, para que ele possa vencer sua luta de adaptação ao novo sexo adquirido com o renascimento.

Outra questão extremamente controvertida, para muitos cristãos, é a possibilidade da união estável [casamento] entre duas pessoas do mesmo sexo. Ante a miopia preconceituosa do falso purismo religioso da esmagadora maioria de cristãos supostamente “puros”, isso é uma blasfêmia. Isto torna o tema bastante complexo, e não ousaríamos opinar com a palavra definitiva. [estamos abertos a discussões] Porém, após refletir bastante sobre o assunto e, sobretudo, tendo como alicerce as opiniões de Chico Xavier, entendemos que a união estável [casamento] entre homossexuais é perfeitamente normal. Sim!

Só conseguiremos entender melhor a questão homossexual depois que estivermos livres dos (pré)conceitos que nos acompanham há muitos milênios. Arriscaríamos afirmar que a legalização do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo é um avanço da sociedade, que estará apenas regulamentando o que de fato já existe.

Seria lícito a duas pessoas do mesmo sexo viverem sob o mesmo teto, como marido e mulher? A propósito, vasculhando fontes sobre esta mesma indagação encontramos em Folha Espírita a resposta de Emmanuel: “A esta indagação o Codificador da Doutrina Espírita formulou a Questão 695, em O Livro dos Espíritos, com as seguintes palavras: “O casamento, quer dizer, a união permanente de dois seres, é contrário a lei natural?” Os orientadores dos fundamentos da Doutrina Espírita responderam com a seguinte afirmação: “É um progresso na marcha da humanidade.” Os amigos encarnados no plano físico com a tarefa de sustentar e zelar pelo Cristianismo Redivivo, na Doutrina Espírita, estão aptos ao estudo e conclusão do texto em exame.”(12) (grifamos)

Tanto o homossexual como o heterossexual devem buscar a sua reforma interior, não cedendo aos arrastamentos provocados pelos impulsos instintivos e sensuais. Lembremos, o que é ilícito ao hétero, também o é ao homossexual. Ambos precisam “distinguir no sexo a sede de energias superiores que o Criador concede à criatura para equilibrar-lhe as atividades, sentindo-se no dever de resguardá-las contra os desvios suscetíveis de corrompê-las. O sexo é uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma.”(13)

Mister, portanto, reconhecer que ao serem identificados os pendores homossexuais das pessoas nessa dimensão de prova ou de expiação, é imperioso se lhes oferte o amparo educativo pertinente, nas mesmas condições que se administra instrução à maioria heterossexual da sociedade.

Acreditamos, por fim, que estas idéias poderão levar, a quantos as lerem, a meditar, em definitivo, sobre o assunto, lembrando que o homossexualismo transcende em si mesmo à simples questão da permuta sexual

Jorge Hessen.

As Raízes das Síndromes Genéticas

Apesar de ter nascido em 1993, Brooke Greenberg não envelhece, não consegue se alimentar, nem andar sozinha e nem falar. Tem o tamanho e a capacidade mental de uma criança. O curioso é que continua a ter os mesmos dentes de quando era, de fato, um bebê. Nunca foi diagnosticada como portadora de qualquer síndrome genética conhecida ou anomalia cromossômica que pudessem ajudar a explicar o motivo de ela não crescer. Mesmo um estudo do seu DNA não foi capaz e especificar o motivo pelo qual ela continua a ter corpo e aparência de uma criança, embora, hoje, esteja com 16 anos de idade.

Alguns especialistas buscam descobrir algumas explicações sobre o seu não envelhecimento. Para Richard Walker, da Faculdade de Medicina da Universidade do Sul da Flórida, em Tampa, o corpo de Brooke não tem um desenvolvimento coordenado. É como se ele estivesse fora de sincronia. Prova disso é a sua idade óssea, estimada em 10 anos. Em seus primeiros seis anos de vida, Brooke passou por uma série de emergências médicas e sobreviveu a todas. Teve sete úlceras estomacais, convulsão cerebral que foi diagnosticada como um acidente vascular cerebral, sem dano aparente. Aos 4 anos de idade, Brooke caiu em uma letargia que a levou a dormir por 14 dias. Médicos, então, diagnosticaram um tumor cerebral. Atualmente, Brooke frequenta uma escola para crianças com necessidades especiais e permanece congelada na infância mais absoluta.

Caso semelhante é o de Suraya Brown, conhecida como “a menina que se nega a crescer”. Com mais de um ano de idade, ela pesa hoje 3,5 quilos, o que seria normal para uma criança recém-nascida. Radiografias ósseas revelaram anormalidades, porém uma prova genética para uma rara doença de nanismo, denominada Síndrome de Silver-Rusell, resultou negativa, bem como outras formas de nanismo que também foram descartadas. Brooke e Brown são casos extremamente raros. Os fatos nos levam à reflexão sobre a estrutura funcional do perispírito, a Lei da Causa e Efeito, a reencarnação, o suicídio, entre outros temas que a Doutrina Espírita explica muito bem.

À propósito, sobre a tese reencarnacionista, a Word Christian Enciclopédia informa que os “500 pesquisadores e 121 consultores, depois de visitarem 212 países, concluíram, em 100 relatórios, que, no ano de 2000, a população da Terra alcançaria 6.260.000.000 de habitantes, e que 2/3 dessa população, isto é, cerca de 4.000.000.000 de pessoas, seriam reencarnacionistas”.(1)

Em verdade, antes de reencarnarmos, examinando as próprias necessidades de aperfeiçoamento moral, muitas vezes, solicitamos a limitação física na nova experiência carnal, para que essa condição nos induza à elevação de sentimentos. Pedimos aos Benfeitores a enfermidade capaz de educar os impulsos; essa ou aquela lesão física que nos exercite a disciplina; determinada mutilação que nos iniba o arrastamento à agressividade exagerada; o complexo psicológico que nos remova as idéias inferiores, etc.

É a lógica de justiça da Lei da Reencarnação e do Princípio de Causa e Efeito. Já vivemos, na Terra ou em outros orbes, inúmeras vezes e trazemos gravados, no tecido sutil do psicossoma, os registros de nossas aquisições e desatinos anteriores, quais fulcros energéticos em núcleos de potenciação, e, no momento da ligação do perispírito ao óvulo, espelhamos, nessa célula, o nível do nosso estágio moral. Portanto, nosso estado evolutivo é que determinará os renascimentos com anomalias congênitas ou não.

As malformações congênitas são extremamente variáveis tanto no tipo quanto no mecanismo causal, mas todas surgem de um transtorno do desenvolvimento durante a vida fetal. Há anomalias bioquímicas que se manifestam ao nascimento ou no período neonatal e são tidas como defeitos de nascimento (Birth Defect), muito embora não estejam associados a uma malformação atual. Uma criança poderá ser malformada porque a sua programação genética foi imperfeita ou, porque, fatores ambientais alteraram o trabalho de formação, ou, ainda, pela existência simultânea das duas coisas.

Por esse motivo, as malformações são classificadas em três grandes grupos: de causa genética, de causa ambiental e de causa multifactorial. As primeiras são hereditárias e podem repetir-se na família; as segundas ocorrem esporadicamente, e as últimas são como que uma situação intermediária entre as duas.

As raízes de quaisquer patologias têm suas bases na estrutura perispirítica. Ainda que esteja aparentemente saudável, uma pessoa pode trazer nos seus Centros Vitais as disfunções latentes, adquiridas nesta ou noutras vidas, que, mais cedo ou mais tarde, virão à tona no corpo físico, sob a forma de variadas síndromes mais ou menos graves, conforme a extensão da lesão e a posição mental do devedor. Somos herdeiros de nossas ações pretéritas, tanto boas quanto más. A conta do destino, criada por nós mesmos, está impresso no corpo psicossomático. Esses registros fluem para o corpo físico e culminam por determinar o equilíbrio ou o desequilíbrio dos campos vitais.

Só o reconhecimento acadêmico, no futuro, da primazia do espírito sobre a matéria, associada ao princípio reencarnacionista, isto é, a integração da herança espiritual à hereditariedade genética, comandada pelo espírito, via perispírito, regida pela Lei de Causa e Efeito, é que permitirá que se identifiquem, no espírito imortal, as causas verdadeiras dos desequilíbrios que eclodem no corpo físico, sob aspectos de variadas síndromes, incluindo-se os distúrbios psicológicos.

A questão 335, de O Livro dos Espíritos, consigna que, além do gênero de vida que lhe deve servir de prova, o espírito pode, também, escolher o corpo, porque as imperfeições deste corpo são, para ele, provas que ajudam o seu progresso, se vence os obstáculos que nele encontra.”(2) Porém, a escolha não depende sempre dele. Quando o espírito é atrasado, moralmente, ou não tem aptidão para fazer uma escolha com conhecimento de causa, Deus lhe impõe experiências como instrumento de expiação.

A Lei de Causa e Efeito regula os nossos atos, as nossas ações e os nossos pensamentos. É por meio da pluralidade das existências que o Espiritismo nos ensina: os males e aflições por nós sofridas são provacionais ou expiatórias e sofremos na vida presente as conseqüências das faltas que cometemos em existência anterior. Assim, até que tenhamos quitado a última dívida de nossas imperfeições, vamos prosseguir na sequência de nossas reencarnações, vida após vida, na Terra ou em outro orbe, a fim de alcançarmos a plenitude da luz.

FONTES:

(1) Word Christian Enciclopédia” da Igreja Anglicana da Inglaterra, editada pela Universidade de Oxford (Time-Life nº 18)
(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1992, perg. 335

Jorge Hessen

Um Estudo Sobre a Dor

“Ninguém sofre, de um modo ou de outro, tão somente para resgatar o preço de alguma coisa. Sofre-se também angariando os recursos precisos para obtê-la.“ Emmanuel, do livro “Aulas da Vida”.

Primeiramente vamos definir a palavra dor. De acordo com o Dicionário Aurélio, dor pode ser uma sensação desagradável, variável em intensidade e em extensão de localização, produzida pela estimulação de terminações nervosas especiais, pode ser um sofrimento moral, mágoa, pesar ou aflição, e por fim dor pode ser sinônimo de dó, compaixão e condolência. Com base no Wikipédia, a dor é uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e emocional.

Existem aspectos para a dor. A dor física é aquela que surge de um ferimento ou de uma doença, funcionando como um alarme de que há algo errado no funcionamento do corpo; se não existisse a dor, provavelmente não sobreviveríamos, porém esta dor física afeta a pessoa como um todo. A dor moral é aquela que advém do sofrimento, da emoção. A dor espiritual surge da perda de significado, sentido e esperança, ela é reconhecida quando dizemos que “dói a alma”. O aconselhamento espiritual é uma das necessidades mais solicitadas pelos que estão morrendo e por seus familiares. Claro que estes três aspectos interrelacionam-se e nem sempre é fácil distinguir um do outro.

Todas as pessoas consideradas normais têm horror à dor física. Mas a dor se impõe ao homem como um instrumento necessário para que ele possa compreender e observar a lei da autopreservação. Quando a dor é maior do que conseguimos suportar, simplesmente caímos em estado inconsciente.

Um aspecto importante da dor é o aspecto mental, pois a maioria das dores físicas é exagerada pela nossa reação mental a elas. Muitas vezes, em um acidente, os pais, preocupados em amparar e proteger seus filhos, não sentem a dor de um ferimento, porém assim que suas emoções se acalmam, percebem o ferimento e sentem dor. Muitas vezes eles dizem nem terem tido tempo para pensar nisso.

Em “O Livro dos Espíritos”, Capítulo VI, Parte 2ª: “257. O corpo é o instrumento da dor, se não é sua causa primária, é pelo menos a imediata. A alma tem a percepção dessa dor: essa percepção é o efeito. A lembrança que ela conserva pode ser muito penosa, mas não pode implicar ação física. Com efeito, o frio e o calor não podem desorganizar os tecidos da alma; a alma não pode regelar-se nem queimar. Não vemos, todos os dias, a lembrança ou a preocupação de um mal físico produzir os seus efeitos? E até mesmo ocasionar a morte? Todos sabem que as pessoas que sofreram amputações sentem dor no membro que não mais existe. Seguramente não é esse membro a sede, nem o ponto de partida da dor: o cérebro conservou a impressão, eis tudo. Podemos, portanto, supor que há qualquer coisa de semelhante nos sofrimentos dos Espíritos depois da morte (…)”
“O perispírito é o liame que une o Espírito à matéria do corpo; é tomado do meio ambiente, do fluido universal; contém ao mesmo tempo eletricidade, fluido magnético e, até certo ponto, a própria matéria inerte (…) É também o agente das sensações externas. No corpo, estas sensações estão localizadas nos órgãos que lhes servem de canais. Destruído o corpo, as sensações se tornam generalizadas. Eis porque o Espírito não diz que sofre mais da cabeça que dos pés (…) Liberto do corpo, o Espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é o mesmo do corpo; não obstante, não é também um sofrimento exclusivamente moral, como o remorso, pois ele se queixa de frio ou de calor (…) A dor que sente não é dor física propriamente dita: é um vago sentimento interior, de que o próprio espírito nem sempre tem perfeita consciência, porque a dor não está localizada e não é produzida por agentes exteriores; é, antes, uma lembrança também penosa (…)”.

Um espírito já desencarnado pode acreditar estar sentindo dor, pois sua mente ainda mantém a percepção desta dor. Ele não sente uma dor física, pois esta dor é inerente ao corpo, que já não existe mais, mas por estar muito apegado à matéria e acreditar que possui um corpo, sua mente “percebe” a dor.

Desde o século passado, a ciência já conhece quais os neurônios envolvidos na percepção da dor, mas o mais importante é o processo mental que irá interpretar esta dor. Ou seja, a forma como é expressa esta dor está fortemente ligada à cultura, à personalidade, às experiências anteriores, à memória e ao ambiente do indivíduo. Desta forma, podemos concluir que a dor é um processo mental interpretativo, não passa de uma opinião pessoal. Sem dúvida é uma sensação em uma ou mais partes do organismo, mas sempre é desagradável, e, portanto, representa uma experiência emocional. Estamos diante de um fenômeno dual, de um lado a percepção da sensação e de outro a resposta emocional do indivíduo a ela. Assim, nem sempre quem está sentindo dor está sofrendo. O sofrimento é uma questão subjetiva e está mais ligada à moral da pessoa. Nem toda dor leva ao sofrimento e nem todo sofrimento requer a presença de dor física. A dor sempre representa um estado psicológico, muito embora saibamos que a dor na maioria das vezes apresenta uma causa física imediata.

Já dizia Emmanuel: “Toda dor física é um fenômeno, enquanto que a dor moral é essência.” (O Consolador, Francisco Cândido Xavier).

Muitas vezes esta dor, que no plano biológico é como uma advertência de utilidade incontestável, repercute na vida psicológica do indivíduo, extrapolando esta utilidade biológica e dependendo da sua intensidade poderá assumir dimensões tais que gerariam um desejo de se eliminar a própria vida. Na verdade, não é uma verdadeira vontade de eliminar a vida, mas um desejo de pôr fim a uma dor interpretada como intolerável.

A Psicologia já vem afirmando algo nesta direção; diz esta ciência que dar significado à condição sofrida freqüentemente reduz ou mesmo elimina o sofrimento a ela associado. A transcendência seria provavelmente a forma mais poderosa na qual alguém pode ter sua integridade restaurada.

Desde que renascemos, até a desencarnação, estamos sempre diante da dor e do sofrimento. A Doutrina Espírita não faz apologia da dor, apenas nos esclarece o porquê da dor.

“É necessário sofrer para adquirir e conquistar. Aqueles que não sofreram, mal podem compreender estas coisas.” (Léon Denis, Cap. XXVI do livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”).
Claudia Cardamone