Como se libertar do sofrimento

A valiosa contribuição psicográfica do Apóstolo do Bem, Divaldo Franco, rendeu frutos sazonados com a produção de esclarecedores textos de natureza psicológica redigidos pela Veneranda Joanna de Ângelis.

São 16 volumes que integram a denominada Série Psicológica, iniciando-se com o tocante Jesus e a atualidade e culminando com o expressivo Psicologia da gratidão.

O primeiro consiste na apresentação de vinte situações com ocorrências do cotidiano que aturdem a civilização, envolvendo amor, tolerância, justiça, dever, alegria, coragem, decisão, responsabilidade, posses, insegurança, sofrimentos, entre outros assuntos, buscando respostas da conduta humana na terapia de Jesus.

O segundo exalta a gratidão como roteiro de segurança a ser vivenciada em todos os momentos da existência corporal, como um estado interior que resulta em alegria e paz.
Dentre esses mananciais de esclarecimento e consolo, há o segundo volume da série, cujo instigante título é O homem integral. Esta obra considera o grave momento por que passa a Humanidade, e faz um estudo de diversos fatores de perturbação psicológica, procurando oferecer terapias de fácil aplicação, fundamentadas na análise do homem à luz do Evangelho e do Espiritismo, de forma a auxiliá-lo no equilíbrio e no amadurecimento emocional, com vistas à sua renovação e aquisição de saúde psicológica, tendo sempre como ser ideal Jesus, o Homem Integral de todos os tempos, por haver desenvolvido todas as aptidões herdadas de Deus, na condição do ser mais perfeito de que se tem notícia.

O homem integral esclarece que o Espiritismo, sintetizando diversas correntes de pensamento psicológico e estudando o homem na sua condição de Espírito eterno, apresenta a proposta de um comportamento filosófico idealista, imortalista, auxiliando-o na equação dos seus problemas, sem violência e com base na reencarnação, apontando-lhe os rumos felizes que deve seguir.

É justamente nesse livro extraordinário que Joanna de Ângelis apresenta uma terapia liberativa do sofrimento. Em sua didática e sabedoria, a Mentora elenca quatro passos, constitutivos do caminho libertador, apresentados a seguir resumidamente:

1) Considerar todos os indivíduos como dignos de serem amados.
2) Identificar e estimular os traços de bondade do caráter alheio.
3) Aplicar a compaixão quando agredido.
4) O amor deve ser uma constante na existência do homem.

Vejamos como são conexas as etapas propostas por Joanna. Retornemos um pouco e leiamos os itens 1 e 4 e, depois, os itens 2 e 3.

Para se libertar do sofrimento é preciso amar. Todas as pessoas são dignas de serem amadas, apenas para nos referirmos ao ser humano em suas relações interpessoais. Para nossa felicidade, o amor deve estar presente em nossa vida. Todos somos irmãos, deveríamos constituir uma só família espiritual, pois somos filhos de um mesmo Pai, criaturas de um mesmo Criador. Enxergar o outro com respeito é sentir que o amor pleiteado a nosso favor é o amor que precisamos distribuir ao semelhante, sem preconceitos e em consonância com o entendimento das diferenças que caracterizam a manifestação das individualidades.

Vários sofrimentos são gerados por ideias preconcebidas ou por fazermos mau juízo do próximo, enxergando nele posturas inadequadas ou incomodativas, considerando que entendemos a realidade de modo distinto. A Mentora recomenda identificarmos e estimularmos os traços de bondade do caráter alheio, auxiliando-o em seu processo evolutivo. Todos, como seres divinos, trazemos latentes na intimidade do ser o deus interno, a consciência na qual está registrada a lei de Deus, a nos possibilitar a distinção entre o certo e o errado, o bem e o mal. Assim, é preciso enxergar o lado bom das pessoas, para o nosso próprio bem. Quando vemos só o que é ruim, sofremos. Tornamo-nos pessimistas, negativos, amargos… Porém, quando nos predispomos a visualizar o mundo com lentes corretivas que nos facilitam enxergar o belo, o bom e o útil, erradicamos de nossa mente o sofrimento e nos sentimos felizes.

A compaixão como saudável exercício para com aqueles que nos ofendem, magoam, ferem, prejudicam, é também terapia libertadora do sofrimento. É preciso ser compassivo quando agredido. Jesus recomendou que revidássemos o mal recebido com o bem ativo que já trazemos no coração. Em O evangelho segundo o espiritismo, em seu capítulo 17, item 10, quando trata de O homem no mundo, Allan Kardec compila a significativa recomendação: “Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração dos que se reúnem sob as vistas do Senhor e imploram a assistência dos bons Espíritos.” Aplicar a piedade para com quem convivemos e que, direta ou indiretamente, nos atingem na sua maneira de agir e pensar, manifestando a existência de naturais diferenças de posturas e comportamentos, é atitude virtuosa dos que se candidatam à conquista do Reino dos Céus por seus méritos próprios. Somos indivíduos. Emmanuel, o guia espiritual de Chico Xavier, ensina-nos que Deus não cria duplicatas, apenas originais. Por isso, embora semelhantes, posto que irmãos, somos também diferentes em características a revelarem a personalidade que retrata nosso modo de ser em determinada encarnação ou existência física.

A melhor terapia para a libertação do sofrimento e conquista da felicidade é o exercício do amor a Deus, do amor ao próximo e do amor a nós mesmos no cotidiano de nossas vidas.

Artigo publicado na Tribuna Espírita, ano 36, n. 196, mar./abr. 2017.
Fonte: FEB, por Geraldo Campetti Sobrinho

Virtudes e Defeitos

 

Do latim virtus, utis, que significa força corpórea, ânimo, valor, bravura, coragem, força de alma, energia, boas qualidades morais, mérito, vejamos outras definições para a palavra virtude:

a. Minidicionário Aurélio: “disposição firme para a prática do bem; qualidade moral”.

b. Houaiss: “qualidade do que se conforma com o considerado correto e desejável; conformidade com o Bem, com a excelência moral ou de conduta”.

c. Aristóteles: disposição adquirida de fazer o bem, que se aperfeiçoa com o hábito.

d. O Livro dos Espíritos – p. 893: “Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento das más tendências”.

e. Miramez em Horizontes da Vida: “Virtudes são qualidades morais que a alma deve exercitar a cada dia em proveito de sua própria vida”.

Conclusão: virtudes são qualidades morais do homem, a serem despertadas, desenvolvidas, cultivadas, exercitadas. Mas por quê?

Deus criou tudo o que existe: o universo, a natureza, a humanidade. Deus, que é o Bem e a Perfeição absolutos, não criaria nada incompleto, imperfeito ou defeituoso. Então, tudo o que Deus criou foi criado para o Bem, inclusive a humanidade.

Isso significa que o ser humano, de natureza divina, foi criado potencialmente bom, virtuoso, ou seja, todos os homens têm latentes, em si mesmo, todas as virtudes necessárias ao seu progresso espiritual, à sua verdadeira felicidade.

Portanto, desenvolver virtudes é, na verdade, desenvolver nossa própria natureza, evoluir espiritualmente, para alcançar a felicidade que tanto buscamos, mesmo sem o sabermos. Assim, o desenvolvimento das virtudes é uma necessidade instintiva natural de todo ser humano. Mesmo inconscientemente, o homem deseja ser virtuoso, busca o cultivo das virtudes por instinto.

Mas, se é assim tão natural, por que é sempre tão difícil despertar, cultivar, desenvolver, exercitar as virtudes? Será que somos fracos? Estamos sem a proteção de Deus? Somos incapazes?

Não. Deus nada criou para a imperfeição, portanto, temos tudo para sermos perfeitos. Acontece que, durante muito tempo, por uma questão de sobrevivência, o homem foi obrigado a se preocupar mais com o mundo material e as necessidades físicas, e sua atenção esteve completamente voltada para a busca de alimento, abrigo, defesa, moradia, etc. Não sobrava tempo e espaço para que percebesse e se preocupasse com as coisas espirituais, pois as coisas materiais tomavam todo seu tempo e suas energias.

Isso foi necessário durante algum tempo, como parte do aprendizado do homem no planeta. Era necessário que ele conhecesse as emoções básicas antes pelo ponto de vista material, concreto, palpável, para depois abstrair-se e entendê-las pelo ponto de vista intelectual, filosófico e espiritual, conhecendo também os sentimentos mais elevados. Era apenas mais um estágio a ser vencido em sua caminhada evolutiva.

Nessa intensa luta pela sobrevivência, as virtudes acabaram confundidas com coisas do mundo material, mais objetivas e práticas como força e resistência físicas, coragem para a luta corporal, capacidade para estratégias de guerra, fertilidade, harmonia estética, etc. E, com as virtudes moldadas pela visão exclusivamente material, o homem acabou criando um mundo de luta, competição e disputa, onde o que valia era a lei do mais forte, do olho por olho, do jogo de poder e acúmulo de bens.

Com o tempo, entretanto, seu entendimento aumenta e ele alcança uma percepção instintiva das coisas espirituais. É sua natureza latente para o em chamando mais forte. E o homem passa a não se satisfazer mais só com as coisas materiais. E essa insatisfação começa a gerar vazio, culpa, arrependimento, desconforto, constrangimento de consciência, incômodo, pois o homem começa a perceber que lhe falta alguma coisa e que, talvez, ele tenha “defeitos”.

Começa, então, a luta interior do homem contra si mesmo, a luta moral, o conflito consciencial do homem velho contra o homem novo, de que fala Paulo de Tarso em suas epístolas e de que falam muitos outros místicos e filósofos ao longo da história. Essa é a batalha mais árdua de todo ser humano, sem tréguas, sem disfarces, 24 h por dia, sem possibilidade de fuga, pois, mais cedo ou mais tarde, somos forçados a nos olhar frente a frente.

É nesse ponto que surgem a Religião e a Filosofia, como forma de encontrar alívio para o mal-estar interior e para o conflito que se instalou em nossa consciência. Em todas as Religiões vamos encontrar referências às virtudes. Todas as Religiões reconhecem o valor e a necessidade de se cultivar virtudes como qualidades das pessoas de bem, como qualidades a serem cultivadas para se tornar pessoas de bem.

Acontece que as Religiões, manifestações humanas, nunca foram perfeitas e, influenciadas pelas culturas e pela época em que estão inseridas, acabaram por dar às virtudes definições particulares, distorcidas, exagerando algumas características, tornando-as inacessíveis, difíceis de serem compreendidas ou vivenciadas pelas pessoas comuns, transformando-as em coisas para santos, místicos, anjos, iluminados, avatares, iniciados, missionários, etc.

Assim, as Religiões falham e não conseguem explicar e sanar o conflito vivido pelo homem, aliviando o desconforto espiritual em que vive. Sem poder alcançá-las, esse homem perde o interesse pelas virtudes e volta ao seu estado materialista. E instituiçõs religiosas, por sua vez, erguidas e cheias de homens também em conflito tanto quanto o povo, receosas de perder o controle sobre seus fiéis, criam mecanismos e leis que só fazem aumentar a culpa, o medo e o constrangimento da consciência humana.

Desse modo, as virtudes, além de não serem compreendidas, ainda são desvalorizadas e praticamente esquecidas, consideradas utopias, coisas de gente ingênua, crédula e ignorante. Ser virtuoso se torna sinônimo de ser bobo e ignorante.

O homem, cansado de ir e vir, continua lutando consigo mesmo, intuindo que alguma coisa está errada, que falta algo, mas sem saber como corrigir. E é nesse estágio em que nos encontramos hoje. O homem moderno, pelo excesso de materialismo e pela decepção com as Religiões, perdeu a referência divina de sua criação e, ao mesmo tempo, não se contenta com a referência mais animalizada e limitada de seu passado. Ele não quer voltar a ser o que foi, e não consegue enxergar ou entender o que pode vir a ser. Com a falta de compreensão de sua natureza divina e as distorções criadas com o passar dos séculos, o homem continua a agir de forma equivocada, manifestando qualidades que se parecem cada vez mais defeitos para ele.

O que são, então, os defeitos?

O que são, então, os defeitos? Defeitos nada mais são que manifestações da nossa ignorância em relação à nossa natureza divina; são agressões a essa natureza virtuosa latente com que fomos criados desde o princípio; são agressões à nossa consciência e ao fluxo do amor divino que está em nós e nos transpassa ao longo da vida. Uma vez que entendemos as virtudes como parte de nossa natureza, aspectos naturais de nosso caráter, potenciais divinos latentes em todos nós para nosso sucesso espiritual, entendemos que o único caminho natural para nossa felicidade é a prática constnte e consciente dessas virtudes, cessando o conflito íntimo, o desconforto, a insatisfação.

A única e verdadeira função da virtude é fortalecer o espírito para a caminhada em direção ao progresso espiritual, reconduzindo-nos à posse de nossa natureza divina, libertando-nos de nosso passado limitado por distorções, ilusões e enganos.

Como diz Miramez em Horizontes da Vida, “a criatura virtuosa assegura força poderosa na sua vida, que lhe faz alcançar um bem estar indizível, na intimidade do coração. […] A função da virtude é a de libertar as criaturas dos cansados trilhos das ilusões e do enfado torturante das paixões inferiores”.

Assim, a nossa atitude natural deve ser cultivar virtudes e não combater defeitos. Cultivando virtudes, os defeitos, naturalmente, deixam de existir, de forma gradativa, pois não são parte de nós. São apenas manifestações de nossa ignorância em relação a nossa natureza; reflexo de nossa agressão a nossas características latentes naturais: as virtudes. Essas, sim, partes de nossa essência.

É importante, no entanto, que essa prática das virtudes não se torne uma obsessão, pois poderia levar a outro equívoco grave: o fanatismo. A busca das virtudes deve ser natural, gradativa, sem sofrimento, sem sacrifícios, sem privações, repressões ou imposições cruéis. O que não quer dizer que não implique algum sacrifício de nossa parte. Para conquistarmos as virtudes, teremos de abrir mão de alguns interesses pessoais, de alguns apegos materiais, de algumas crenças arraigadas, de alguns conceitos equivocados, de algumas percepções distorcidas ou egoístas… Mas tudo de forma natural, sem que seja necessário forçar nada, sem que nos tornemos chatos, implicantes, fiscais ou cobradores de nós mesmos ou de quem quer que seja.

Também não devemos, na ânsia de alcançar as virtudes, virar as costas aos defeitos. Para podermos evitar um perigo, precisamos saber exatamente como é esse perigo, onde ele está, como se comporta, quando se manifesta etc… Devemos procurar conhecer todos os nossos defeitos para melhor empreender a busca das virtudes contrárias a eles, e não bancar os cegos e ingênuos, fingindo não ver o perigo em que nos encontramos ou o quanto ainda estamos sujeitos a fraquejar.

E, principalmente, aceitemos os nossos eventuais defeitos com naturalidade, sem decepção, sem desânimo, pois eles são características naturais do estágio em que nos encontramos agora. Precisamos manifestar esses defeitos para nos conhecermos melhor e para sabermos quais são nossas maiores necessidades. Somente através de nossos defeitos, percebidos de forma consciente ou inconsciente, pudemos chegar ao momento em que nos encontramos hoje, aqui e agora, fazendo questionamento em busca de esclarecimento, orientação e aperfeiçoamento de nós mesmos.

Fonte: STUM – Somos Todos Um – por Maísa Intelisano

 

Haja paciência…

 

Num dia desses, parado com o carro esperando abrir o sinal, fiquei distraído e não percebi que a cor havia mudado para verde. Foi questão de uns 5 segundos, mas o suficiente para fazer com que o motorista de trás apertasse sua buzina freneticamente. Calmamente engatei primeira e saí com o carro. Ao passar por mim, fez um sinal indecoroso, e pude ler em seus lábios uma nada amistosa homenagem à minha progenitora que, certamente, ele não conheceu, pois desencarnou há mais de 15 anos.
Mas o fato colocou-me a pensar em como estamos sempre com pressa, talvez no contrafluxo do universo. Estamos contra o fluxo do universo porque toda a mensagem que nos é enviada pede para termos mais calma ou, melhor dizendo, para treinarmos a paciência.
Quem quer tudo para ontem ainda não percebeu que a vida tem seu próprio tempo e turno.1 Esperar é uma tônica da vida na Terra. Mesmo que não queira, ninguém pode viver sem esperar. Um amigo, admoestado porque com frequência fazia seu chefe esperar, não perdia a piada. Ele pode esperar, aliás, esperou 9 meses para nascer, não há problema algum em esperar mais 5 minutos para ter um relatório de qualidade, com informações preciosas que pouparão muito de seu tempo, dizia o ousado amigo. A verdade é que, quanto mais um indivíduo se tem em alta conta, menos ele gosta de esperar. Ah, as noivas não entram nessa análise, elas podem ter pressa e fazer os outros esperarem.
Mas só as noivas…
Por essas e outras, penso que um desafio coletivo para quem vive na Terra é o de esperar. Isso mesmo. Esperamos 9 meses para nascer, mais alguns anos para falar, mais um tempo para andar… Esperamos no trânsito, nas filas, esperamos para aposentar, esperamos chegar a Olimpíada e a Copa do Mundo, esperamos as férias e as sextas-feiras, esperamos o amigo, esperamos o exame chegar, a conexão da net, esperamos alguém ligar e, pasmem, esperamos até a felicidade.
Isso sem contar que até quem paga a conta espera o médico chegar, já quem depende do SUS… Bem, quem depende do SUS nem sabe se o médico chegará…
Aliás, paciência para esperar que a dor passe ou a fase difícil vá embora já é, por si, um remédio que alivia. Sim, um remédio. Quanto mais nos desesperamos, mais as dores, sejam elas de ordem moral ou física, tornam-se fortes. A paciência é o remédio que permite diminuir a potência da dor. Há, aliás, bela mensagem em O Evangelho segundo o Espiritismo que traz o nome de Paciência. A mensagem diz, entre tantas coisas bacanas, que, quando olhamos para baixo, verificamos que outras tantas pessoas sofrem dores mais agudas do que as nossas. Ou seja, é preciso treinar a paciência e aprender a esperar, pois tudo, absolutamente tudo, passa, e, quando temos mais resignação, as dores não se tornam insuportáveis.
O trânsito é mais leve, o médico chega mais rápido, os exames não demoram tanto, a conexão da net funciona de forma mais eficaz quando exercitamos a paciência.
Então, de tudo que abordamos, cabe-nos entender que é importante conquistar a paciência, e que a vida nos treina para isso constantemente.
Nem sempre o tempo que julgamos certo o é para Deus, eis por que ele dotou a vida repleta de situações que nos ensinam um belo aprendizado: aprender a esperar, enfim, buscar a paciência para que a vida seja mais leve, menos estressante.
Até porque não existe vida sem espera…
E haja paciência…

Wellington Balbo

Um mundo melhor…

 

É usual ouvirem-se comentários do gênero “isto está cada vez pior”, “isto não tem solução”, “o mundo está cada vez pior”…, e os noticiários, caprichosamente escolhidos para que apenas apareçam as situações mais lamentáveis, acabam por cimentar esta ideia.

Aparentemente o mundo está pior, tendo em conta tanta violência, tanto desnorte do ser humano, tanta impunidade perante o erro deliberado, tanta indiferença perante o sofrimento alheio.

O homem refugia-se, alucinado, no seu egoísmo, tentando nada ver além do seu ego. Digamos que é um mecanismo de fuga… para dentro, no pior sentido.

Perdido o Norte de Deus, desvalorizados os valores ético morais, o Deus dinheiro levou a humanidade, aliada ao Deus egoísmo, a um beco sem saída.

Vendo estes acontecimentos à luz da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), conseguimos verificar que os momentos atuais assemelham-se ao chamado “fim dos tempos”, a que o Evangelho se refere. No entanto, este “fim dos tempos” não significa que o planeta Terra vá desaparecer, mas será, sim, o fim dos tempos de misérias morais e materiais que agora vemos campearem na Terra.

A “separação do trigo e do joio” e o “juízo final” são, na óptica espírita, a seleção dos Espíritos que voltarão a reencarnar na Terra, Espíritos comprometidos com o bem, com a paz, com a fraternidade. Os demais, os violentos, serão transferidos, por uma questão de sintonia, para outros planetas mais atrasados, em consonância com o seu íntimo, para que ali expiem os erros de agora, em busca de um devir melhor, ao longo dos milênios.

Nunca na Terra se viu tanto Bem como nos dias que correm, o fim das fronteiras, as organizações não governamentais que buscam auxiliar o próximo, as organizações ecologistas, as organizações de defesa dos animais, do meio ambiente, dos explorados, das minorias, da igualdade de oportunidade entre gêneros, entre tantas coisas boas que se passam no mundo, e que apenas não aparecem nas televisões.

Somente o Amor, o perdão, a compreensão podem auxiliar o Homem a libertar-se do egoísmo, do ódio, da intolerância

A Física quântica deu a machadada final no Materialismo, comprovando o que o Espiritismo apresentou ao mundo em 1858: tudo é energia, em diversos estados, mais ou menos condensados.

Cientistas de todo o mundo comprovam a reencarnação e a comunicabilidade dos Espíritos, indo de encontro aos ensinamentos do Espiritismo.

O próximo passo para a Humanidade, inevitável, será incorporar esses conceitos e compreender as consequências morais desses princípios básicos da Vida.

Quando o Homem entender que é um Espírito imortal, temporariamente num corpo físico, que tem uma multiplicidade de existências físicas com o desiderato de atingir um dia o estado de Espírito puro, que tudo o que fizer hoje na sua vida repercutir-se-á em si mesmo, nesta e noutras existências, colhendo (bem ou mal) aquilo que for semeando no bojo do seu psiquismo, então, a Humanidade transformar-se-á mais rapidamente.

Será a época da regeneração do Espírito, época essa que já está em curso com a reencarnação de Espíritos mais evoluídos, comprometidos com a Paz.

Os dias de hoje são, pois, de esperança, de alegria pelo devir, já ali a seguir a curva da evolução inevitável, competindo-nos, mais do que lamentar a situação atual, fazer a parte que nos compete: fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que nos fizessem, se estivéssemos no seu lugar.

A Lei de Causalidade (Causa e Efeito) é inexorável e, relembrando as palavras sábias do grande psicoterapeuta da Humanidade, Jesus de Nazaré, “a cada um de acordo com as suas obras”.

Deixemos, pois, um rastro de luz, de paz, de alegria, de esperança, por onde passarmos ao longo do nosso dia, e estaremos a colaborar com os Espíritos superiores na transformação moral do Planeta, objetivando a instalação de sociedades pacíficas, fraternas, evoluídas, na Terra, para onde voltaremos se tivermos mérito para isso.

Apesar de tudo, o mundo está muito… melhor!!!

Bibliografia:

Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos.

Kardec, Allan – O Evangelho segundo o Espiritismo.

José Lucas

 

Ingratidão dos filhos.

Como superar?

Dia desses recebi e-mail de uma mãe alegando sofrer demais com a ingratidão do filho. Estava ela numa cadeira de rodas, com o pé quebrado, e o rapaz, forte e saudável, recusou-se a ajudá-la. Naturalmente que, como mãe e ser humano que é, ficou chateada a indagar:

Que fiz eu, meu Deus, para merecer filho tão ingrato, que em nada ajuda a mãe, mesmo quando ela necessita?

Santo Agostinho, em O Evangelho segundo o Espiritismo, da-nos sábias lições em mensagem intitulada – A ingratidão dos filhos e os laços de família.

Diz-nos o Espírito de Agostinho que Deus não faz provas superiores às nossas forças, e que podemos vencer o complicado desafio da ingratidão dos filhos.

Indica deixarmos de olhar apenas o presente e voltarmos os olhos ao passado para, com a ideia das múltiplas existências, encontrarmos um consolo e forças para prosseguir.

Pois bem, não é tarefa fácil deixar de esperar reconhecimento, ainda mais de alguém tão ligado a nós pelos laços do coração e do sangue, como os filhos.

O próprio Agostinho reconhece como são complicados os assuntos pertinentes ao coração. Muito mais difícil enfrentar a ingratidão do que a mesa escassa.

Seria mesmo grande ingenuidade considerar que não brotará um mínimo de decepção no indivíduo que recebe a indiferença, quando não a aversão de alguém tão querido.

Entretanto, vale lembrar que estamos no Planeta Terra, orbe de provas e expiações, e, portanto, o impossível é Deus errar. Logo, ingratidão, venha de quem vier é sempre algo possível e até comum de acontecer.

Aliás, eis a vida mostrando isto em todos os instantes.

O grande ponto é aprendermos a lidar com ela, a ingratidão, principalmente dos mais caros a nós.

Ou, melhor, iniciarmos o processo de não esperar nada, absolutamente nada de quem quer que seja.

Como fazer isto?

É um trabalho íntimo que requer muito esforço, porém, é possível realizá-lo.

Evoluir de tal modo que nosso agir seja sempre no bem, independentemente do que outras pessoas irão pensar ou falar, até porque isto não nos diz respeito.

Treinar o desapego do reconhecimento, pois será isto que nos dará a independência do “Obrigado”.

A caridade que praticamos, o amor que doamos, as provas de renúncia e abnegação, o suor que vertemos em benefício alheio, em realidade, ajuda muito mais a nós do que ao outro, pois somos sempre os primeiros beneficiados pela caridade praticada.

É como consta em O Evangelho segundo o Espiritismo, na mensagem de Lázaro denominada “O dever”. O dever, em primeiro lugar, é para comigo, depois com o outro. Ora, se o dever é para comigo, então, vou estender minha mão ao outro, pois será assim que trabalharei pela minha própria evolução.

Quem acende em si a luz da caridade ilumina quem está ao redor e jamais ficará imerso nas trevas.

Portanto, agradecer é dever de quem recebe, mas nem todos cumprem o dever.

Entretanto, não esperar gratidão, reconhecimento ou mesmo um mero obrigado é o antídoto para livrar-se da decepção.

Tornar a prática do bem um hábito, de tal modo que dia chegará em que agiremos no bem sem perceber, e de forma tão espontânea que agradeceremos quando recebermos e não cobraremos quando beneficiarmos…

Assim, livres de nos sentirmos vítimas da ingratidão alheia, seguiremos nosso caminho sempre fazendo o bem, não por recompensa, mas porque é um hábito que adquirimos com muito treino e vontade de gozar um pouco de liberdade que só o bem nos concede.

Wellington Balbo