Solidão

Às vezes, uma vaga tristeza se apodera de nossos corações e nos leva a considerar amarga a vida. É que nosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, em vãos esforços para sair do corpo que lhe serve de prisão. Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo sofre sua influência, toma-nos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia e nos julgamos infelizes.

Resistir, com energia, a essas impressões que nos enfraquecem a vontade, é preciso.
São inatas, no espírito de todas as pessoas, as aspirações por uma vida melhor. Não obstante, o desempenho nos deveres para com a família atual, e outros que a programação reencarnatória impõe, tem que ser alcançado, com determinação e coragem.

A essas reflexões nos leva a mensagem de François de Genève, que Kardec transcreve no item 25 do capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, pertinente à melancolia.

É compreensível, por vezes, desejarmos querer partir para o lado de lá, idealizando regiões mais felizes, entretanto só é bom ir, na hora certa e com o dever cumprido.
Nossa reencarnação, de regra, tem a ver com o quadro de expiação e prova, tanto para reparar equívocos do passado como para exercitar valores positivos espirituais e morais.
A solidão pode estar presente, nesse contexto, seja a material, seja a espiritual, e é preciso saber lidar com ela.

Na solidão material, a ausência afetiva de outra pessoa, seja um cônjuge, os pais, um amigo.
Na solidão espiritual, a sensação de impotência, de estar vencido, perdido.
Para ambas, existe solução: a prática da caridade nos seus vários aspectos.
A resignação e a prece ajudam nesse sentido: resignação diante daquilo que não podemos mudar; prece buscando o fortalecimento espiritual para levar adiante a tarefa.

No campo afetivo, muitas vezes, não é nesta existência que o encarnado alcançará sua realização sentimental plena. Sua “alma gêmea” (falando de forma poética) – o ser que lhe é mais afim – pode não estar fazendo parte de sua atual programação, estando reencarnada, mas não tão próxima, ou o estar ajudando do plano espiritual.

Se a pessoa se isola, voluntariamente, não pode queixar-se de solidão.
Se é isolada pelos outros e se sente solitária, uma causa existe e, tanto pode estar na vida presente como na passada.

Há situações que podem ser mudadas, no campo do relacionamento, e o processo de reforma íntima sempre ajuda nessa direção.

Preencher a solidão, buscando eliminar ou minimizar a melancolia, a tristeza, a depressão, o desgosto, o pesar, é fundamental para uma boa qualidade de vida.
Sempre há quem vivencie provas mais dolorosas que as nossas, atingido por sofrimentos físicos ou morais, clamando por nossa solidariedade.

A fraternidade é o sentimento que deve unir, cada vez mais, os seres entre si, porque somos todos irmãos, espiritualmente falando, filhos do mesmo Pai Maior, que nos criou imortais e perfectíveis, guiando-nos, com Suas leis, rumo ao progresso incessante.

Por isso, Jesus enfatiza a necessidade do amor ao próximo.
Enquanto se busca auxiliar o irmão que mais precisa, a solidão se esvai, a melancolia se dissipa, o vazio interior desaparece, pois representam estados de espírito que sucumbem ao influxo das vibrações elevadas do amor e da caridade.

Fonte: Jornal O Clarim

 

Os Omissos

No íntimo acreditam-se neutros. São portadores, porém, de uma neutralidade conveniente, adotando posição parasitária, como se fora possível a indiferença ante as questões palpitantes da vida.
Não se desejam comprometer. Preferem ser arrastados pela força voluptuosa dos sucessos, invariavelmente negativos, embora se façam crer pessoas honestas e interessadas no progresso do bem.
Omissos, esperam que o tempo tudo resolva, sem oferecerem a contribuição decisiva para apressar a chegada da oportunidade promissora que fomenta o êxito das realizações.
Em verdade, tornam-se frios, hipnotizados pela comodidade, após perderem o calor do ideal e a vibração positiva da fé.
Anseiam por melhores dias, mas nada fazem por produzi-los.
Agitam-se em círculo vicioso de especulações imediatistas, sem a contribuição decisiva pelas realizações superiores.
Aqui, em face ao desgoverno de muitas coisas, erguem os ombros, dizendo nada terem com isso; ali, fingem não ver, asseverando que a questão não lhes é pertinente; adiante, passam por cima dos gritantes descalabros, informando que lhes não cabe atitude alguma… No entanto, comentam, combatem, exigem providências dos outros, portadores que são de larga percepção para condenar e ruminar pessimismo.
ao espíritos doentes, sem dúvida, portadores de virose singular. Algumas vezes, quando convém, aderem à facção maior, a que lhes parece vitoriosa, ou, normalmente, permanecem na posição dúbia de quem está indeciso.
O cristão legítimo, particularmente espírita, é dinâmico, combativo no sentido ideal da palavra, trabalhando sempre pelas causas superiores, envidando todo esforço pela direção segura do ideal que esposa.
Não perde o entusiasmo quando surgem dificuldades, nem tem receio quando se multiplicam problemas.
Recorda-se que a Causa do Cristo sempre esteve em minoria na Terra, e que, todavia, é a Causa da Verdade.
Diante dele avolumam-se os valores legítimos do bem e torna-se, em consequência, expressão do bem onde se encontra.
O clamor da desordem não lhe abafa a voz, porque esta é a do exemplo; a opressão não o esmaga, porque rutilam suas realizações; o desânimo não o vence, em razão de haurir reforço de energias, nas Fontes da Espiritualidade Superior; a calúnia não o afeta, em face ao estoicismo com que vive a verdade, e prossegue, sempre o mesmo, sem pressa mas com decisão, confiando na vitória final, após a última batalha que lhe compete travar.
A omissão, no entanto, é responsável pelo desmoronamento de ideais enobrece dores com que a Humanidade sempre foi contemplada, porquanto estimula a desordem, no silêncio conivente; açula a ira, pela morbidez que dissemina; favorece a fuga dos dubitativos que se resolvem pela atitude mais fácil… Omissão, é, também, ausência de firmeza de caráter, covardia moral.
A omissão de muitos dos companheiros e beneficiários de Jesus contribuiu largamente pra o drama do Calvário.
O silêncio dos chamados homens probos favorece a penetração e vitória das infelizes falcatruas e malversações promovidas pelos aventureiros e maus.
Imperioso fazer convergir para os pontos fulgurantes do dever todos os esforços, não compactuando com os menestréis da perturbação e fomentadores da iniquidade.
Silenciar a autodefesa em prol do ideal representa elevação de espírito, enquanto calar para preservar posições mentirosas traduz desrespeito a si próprio e, em decorrência, agressão ao que supõe acreditar ou afirma seguir.
O cristão omisso é alguém em vias de decomposição emocional, que está em processo de morte sem o perceber.
Desse modo, constrói sempre e convictamente o bem em toda parte, comunicando entusiasmo e otimismo, descobrindo, por fim, que o contágio do amor e da esperança é tão fecundo que, após mimetizar aqueles que nos cercam, retorna com força nova que nos domina e agiganta, conduzindo-nos na direção dos objetivos que defendemos e a que nos afervoramos.

pelo Espírito Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco

A Prisão Mental

É preciso que resguardemos nossa mente das ideias fixas, opressivas, aviltantes; o máximo de cuidado se nos impõe contra elas; constituem verdadeiros cárceres mentais e conquanto o indivíduo tenha seu corpo físico em liberdade, seu espírito jaz prisioneiro dessas ideias. Levadas ao extremo, transformam-se em pensamentos desvairados e torturados que desequilibram a mente, produzindo, por vezes, a loucura.
Ideias fixas formam-se de um amontoado de pensamentos inferiores e desordenados, tendentes a um único fim. Tudo quanto o indivíduo faz, pensa, ouve ou vê outros fazerem, encaminha para a ideia fixa que o obsessiona. Das ideias fixas originam-se os crimes e as desmedidas ambições que, frequentemente, levam a pessoa à ruína.
Ideias opressivas são constituídas por pensamentos pessimistas, angustiosos, de desânimo, de desalento, enfim, de medo ante a vida. Se não forem atalhadas a tempo, as ideias opressivas desorganizam os centros nervosos, gerando consequências imprevisíveis.
Ideias aviltantes são compostas de pensamentos inferiores que conduzem o indivíduo à prática de vícios.
É imprescindível lutarmos contra as ideias fixas, as opressivas e as aviltantes que nos encarceram a mente. Para isso devemos praticar a higiene mental que consiste em livrarmos nosso cérebro de todos os pensamentos impuros e malignos que nele se quiserem acolher ou formar.

Do livro – O Espiritismo Aplicado (Eliseu Trigonatti)

As Emoções Problemáticas

Devemos solucionar as questões duvidosas e problemáticas de nosso coração o mais rápido possível, para impedirmos o inconsciente de se comunicar através da linguagem do corpo, alertando-nos sobre nossa conduta. O inconsciente relaciona universalmente a função do órgão a uma emoção equivalente.
Solte-se e liberte-se das limitações impostas por suas próprias crenças. Comece mudando apenas o seu jeito de falar e perceba que as pessoas também mudarão sua maneira de falar.
Doenças, acidentes ou problemas são toques do inconsciente.
A liberdade de movimentos, a despreocupação com regimes e o equilíbrio das emoções traz ao ser humano a satisfação de viver e descobrir que seu corpo não precisa de nada para continuar a vibrar as energias já latentes. É a própria mente que destrói o que a Natureza cria com perfeição.
Se a doença persiste, descubra qual é a emoção negativa que você vem alimentando em seu coração e ”desligue-a” de sua mente, que a somatização desaparecerá. Exercite-se diariamente com  autossugestionar positivo, evitando as contradições futuras; se encontrar bloqueios pelo caminho.
Seja qual for a doença, saiba que sua gravidade equivale à gravidade de seu sofrimento mental sobre o passado, sobre o presente ou preocupações relacionadas ao futuro.
Pare imediatamente de julgar e criticar os defeitos alheios, pois esta é uma falha de caráter que provoca vários distúrbios orgânicos. Faça uma ”forcinha” e elogie mais as pessoas.
O perdão é a forma de provar a si mesmo que as emoções negativas estão sob o seu controle e que você conhece seu próprio potencial para conquistar novos caminhos.
Com esse desprendimento e com essa confiança em si mesmo, você poderá ”soltar” de sua mente os acontecimentos desagradáveis, pois na verdade tudo que vivenciamos faz parte do nosso crescimento e nos impulsiona a compreender os sentimentos das outras pessoas.
Ninguém nos agride, nos trai, nos abandona ou nos rouba, sem que tenhamos, consciente ou inconscientemente, provocado tais comportamentos. Mesmo em se tratando de acontecimentos vindos de pessoas estranhas, nosso poder de atração é o responsável por isso. Saiba que existem duas leis no Universo, sem as quais não haveria ordem planetária no sistema solar nem no ecossistema e tudo seria o caos: os semelhantes se atraem é Lei da compensação.
A primeira reação de quem recebe essa informação é de incredulidade, pois é difícil entender como podemos ”ser semelhantes” às pessoas que nos fazem mal.
Sempre temos algo em comum com quem nos faz infeliz. Se abandonarmos o sentimento de vergonha, os preconceitos e o orgulho, encontraremos estreitos laços com esses acontecimentos ou com essas pessoas.
Aprenda a se conhecer sob todos os aspectos aceitando, com a maior naturalidade, as alegrias e as tristezas. Isso o ajudará a corrigir o ”leme” de seus pensamentos, afastando, cada vez mais, os ”semelhantes desagradáveis” da sua vida. Antes de mais nada, perdoe-se e você verá como será fácil perdoar aos outros.
Sempre que guardamos mágoas, ressentimentos, ódio, etc., mais cedo ou mais tarde, somatizamos uma doença para justificar a perda de energia que tivemos, devido à situação provocada por aqueles sentimentos.
Perdoar verdadeiramente é questão de inteligência!
Quando a doença não desaparece, nós sabemos que a pessoa não perdoou.
Se você ignorar o acontecimento e olhar a outra pessoa com carinho e bondade, sentindo o coração livre e com esperanças renovadas, saiba, então, que você perdoou verdadeiramente.
De nada adiantará rezar e suplicar pela cura se seu coração está bloqueando a energia vital, mantendo vibrações opostas ao bem.
A vibração do amor de Deus depende da vibração que você emana. Portanto, se você não conseguir tornar seus sentimentos livres das emoções negativas, sua vida estará presa a um círculo vicioso.
Raiva e mágoa são como um muro alto que esconde o sol de nossa casa! Assim são nossos sentimentos passados. Livre-se deles e, com certeza, sua saúde voltará a brilhar.
Portanto, se algo em nossa vida causou-nos sensações fortes de tristeza, medo, ódio, desgosto, etc., o corpo servirá como porta-voz da nossa mente, para nos mostrar que estamos saturando nosso coração, guardando tantos ”lixinhos” do passado ou medos do futuro.
Elimine a vaidade extrema, o orgulho, o medo, que ”proíbem” o ser humano de ver o que tem de ser visto.
Pare de se incomodar com as coisas feias da vida. Pare de comentar a parte feia do mundo, o que há de errado na política, na família e com os amigos e colegas. Observe o mundo, veja como ele sobrevive pelas coisas boas e aprenda a conviver com as más, usando-as como experiência e ferramenta para cavar mais fundo a jazida das coisas boas do seu coração.

Cristina Cairo

O Artigo

Ainda que a justiça dos homens não puna nossas
faltas, nada escapa a Deus

Após anos de sucesso, o concurso de artigos destinado a alunos, funcionários e professores foi, mais uma vez, lançado naquela famosa faculdade. Os alunos competiam entre si, mas os funcionários graduados concorriam com os professores. Naquele ano, um dos concorrentes do corpo docente soube de uma funcionária muito dedicada que, embora ela jamais houvesse participado do concurso antes, daquela vez seria sua vencedora, ainda que aquela fosse, também, a primeira vez que escreveria um artigo[1].
O prêmio para o vencedor era bastante generoso: três mil reais. Isso equivalia a dois meses de trabalho de Marcela, a concorrente imbatível. Assim mesmo, Genebaldo, professor de História da instituição promotora do concurso, resolvera participar. Afinal, no evento do ano anterior fora o vencedor, com o ensaio intitulado A ética na educação. Por isso mesmo, confiava na lisura de sua coordenadora. Entre professores e funcionários, havia mais de trinta participantes do certame.
Genebaldo trabalhava no mesmo departamento da exemplar funcionária, a quem devia favores mil, como o de conferir lançamentos de menções de seus alunos em diários, tirar cópias de exercícios e provas, fornecer materiais didáticos para suas aulas etc. É certo que havia outras secretárias e secretários no local, que faziam o mesmo serviço, mas a funcionária chefa de todos eles era Marcela. Sem sua autorização, nada de cópias, nada de material didático, nada de conferência de diários etc.
Dias antes de Marcela inscrever seu trabalho, a coordenadora do concurso saíra catando todos os artigos premiados dos anos anteriores e, como cedera alguns a Genebaldo, para que este os utilizasse com seus alunos no ensino de produção textual referente ao gênero, perguntou-lhe se o preclaro professor poderia devolver-lhe o material cedido, com o que este aquiesceu.
Numa bela manhã, após o encerramento das inscrições, uma colega de Marcela, que se chamava Larissa, muito querida por todos os colegas e professores, ao atender Genebaldo com o fornecimento de pincel para anotações no quadro branco, espontaneamente, disse-lhe o seguinte: “Professor, o resultado do concurso do qual o senhor participou deve sair na próxima semana, e a Marcela, que também participou, vai ser premiada como autora do melhor trabalho, pois a coordenadora do evento está ajudando-a. Esse será também um reconhecimento público à competência profissional da colega, que trabalha aqui há mais de dez anos e está meia endividada”.
“Como assim? O regulamento prevê autoria exclusiva, os artigos ainda nem foram avaliados e você já sabe quem vai ganhar? Não sabia que era médium clarividente, pois os dados dos concorrentes são sigilosos.”
“Não é nada disso, fessô. Acontece que a colega está passando uma grande dificuldade financeira e precisa do dinheiro para pagar suas dívidas. E ela merece…”
“Ah, sim, já entendi. Uma semana antes de serem avaliados todos os artigos e ser publicado o resultado do concurso, com os nomes dos ganhadores dos prêmios, há uma participante, mais você e a professora coordenadora do evento que estão cientes de quem será sua vencedora, na categoria professores e funcionários, não é isso mesmo? É justo, é justíssimo… Só não sei se os demais concorrentes, se souberem disso, também acharão justo.”
Na semana seguinte, Marcela foi declarada a vencedora do evento e, dias depois, falou, meio sem graça, a Genebaldo: “Pois é, professor, esta foi a primeira vez que participei do concurso e consegui o primeiro lugar… Muita sorte, né?”.
“Parabéns”, respondeu-lhe o professor, abraçando-a. “Você precisa…”
Mas não deixou de pensar: “Sorte nada, alto QI. Bem feito para nós, mestres, doutores e outros funcionários graduados que não soubemos escrever um bom artigo”.
Por coincidência, aquele foi o último ano do concurso. Como há coordenadores generosos neste mundo…
A história acima foi-nos contada por um professor nostálgico dos tempos em que já se pensou em uma educação voltada para formar hábitos saudáveis, respeito à ética, aos valores fundamentais do direito, dos bons costumes e da moral. “Infelizmente – dizia-nos ele – há muita gente que faz da teoria um meio de alcançar seus objetivos espúrios, sem nenhuma preocupação em reformular seus próprios princípios duvidosos e sem cogitar sobre as consequências do mau uso do livre-arbítrio em nossas curtas vidas na Terra.”
Segundo Allan Kardec, na questão 685-a de O Livro dos Espíritos, há um elemento, que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. Considerando-se a multidão de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de espantar as consequências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos.[2]
Infelizmente, algumas pessoas, quando investidas do poder temporal na Terra, deturpam, com seus atos, os valores mais elementares da ética, se desejam beneficiar as criaturas que estimam, com um paliativo para suas dificuldades financeiras, quando podem, perfeitamente, aumentar seus salários. Preferem fingir que premiam esse ou aquele com a criação de concursos fraudulentos do que respeitar o trabalho e o mérito de muitos outros que, ingenuamente, creem na lisura da avaliação de seus esforços.
Vemos, com indignação, em nossa sociedade contemporânea, tornarem-se comuns situações como a descrita na história acima, seja em concursos públicos ou na iniciativa privada. Difícil é provar a falta de lisura, ainda que isso fique evidente, pois, mesmo que o consigamos, tal “atrevimento” poderá implicar em nossa demissão, caso pertençamos ao quadro de funcionários da empresa.
Quando a educação tiver por norma criar hábitos saudáveis, preparar o caráter do educando para os benefícios perenes da prática do bem, do respeito aos direitos do próximo, tais ajudas antiéticas não mais terão lugar em nosso mundo. Para isso acontecer, é imprescindível que se invista na educação do espírito como um todo, não somente na formação de uma mente intelectual.
A educação, segundo o educador Edgar Morin, deve basear-se nos quatro pilares seguintes: aprender a ser, a conhecer, a fazer e a conviver[3]. Os bons e os maus exemplos sempre deixam suas marcas, por isso precisamos pensar seriamente em sua força e influência. “Quantos prosseguem ou quantos desistem, influenciados, quase sempre sem consciência do fato, pelos nossos exemplos bons ou maus”[4].
A verdadeira educação fundamenta-se na elevação moral do espírito eterno, base de todas as crenças. Ainda que muitos não creiam, a Lei de Deus retribui “a cada um segundo suas obras”, conforme os ensinamentos de Jesus confirmados pelo Espiritismo.
Quem hoje lesa alguém, amanhã será lesado igualmente. Os que não acreditam nisso fatalmente terão sua comprovação quando menos esperarem. Por isso, é importante que busquemos sempre o bem, sem jamais esquecermos que, diante de Deus, não existem privilégios entre seus filhos; e não nos cabe tomar-Lhe o lugar.
Lembremo-nos da recomendação de Jesus, para que, de futuro, não venhamos a sofrer as consequências do mau uso do nosso livre-arbítrio, tão negado pelos niilistas atuais, mas a mais certa verdade cristã, que nos esclarece sobre a existência da justiça de Deus na consciência de cada um de nós: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lhos também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mateus, cap. 6, v. 12).

[1] Todas as informações desta história têm por base dados e personagens fictícios.

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 75. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1994. p. 331.

[3] OLIVEIRA, Gladis P. A missão e os missionários. Porto Alegre: Francisco Spinelli, 2009. p. 167.

[4] Idem. p. 232.

Jorge Leite de Oliveira

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