O Peso

Conta-se sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada,
levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra.
Nas costas carregava um saco de terra
Sobre a cabeça equilibrava uma abóbora pesada.
Pelo caminho encontrou um outro viajante que lhe perguntou :
– Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande ?
– É estranho, respondeu o viajante, mas eu nunca tinha realmente
notado que a carregava.
Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.
Em seguida veio outro caminhante que lhe perguntou :
– Diga-me, cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão pesada ?
– Estou contente que me tenha feito essa pergunta, disse o viajante,
porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo.
Então ele jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves.
Um por um pelo caminho foi  sendo avisado a respeito de suas cargas desnecessárias.
E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre
e caminhou como tal. Qual era na verdade o problema dele ? A pedra e a abóbora ?
Não.
Era a falta de consciência da existência delas.
Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa
e já não se sentia mais tão cansado.
Esse é o problema de muita gente. Carrega cargas sem perceber.
Não é de se estranhar que estejam tão cansadas !
O que são algumas dessas cargas que pesam na mente de uma pessoa
e que roubam as suas energias ?

– Pensamentos negativos.
– Culpar e acusar outras pessoas.
– Permitir que impressões tenebrosas descansem na mente.
– Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não poderiam ter evitado.
– Autopiedade.
– Acreditar que não existe saída.

Todo mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia.
Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhor
e caminharemos mais levemente.
Autor Desconhecido

Nada de Novo

 

No primeiro parágrafo da Constituição da Organização Mundial da Saúde, assinada por membros das Nações Unidas, em 1946, está registrado: “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença”.

O expositor comentava essa observação num grupo de estudos espíritas, quando alguém indagou:

– Considerando assim, posso dizer que estou doente se me sinto desalentado?

O expositor, habituado à maiêutica, método socrático que consiste em induzir o inter-locutor a descobrir respostas às próprias indagações, perguntou:

– Dor é doença?
– É sintoma.
– Se lhe dói o estômago?
– Indigestão, gastrite, úlcera…
– Se há dor na extremidade do dedão, no pé?
– Unha encravada.
– Se doem as pernas, fraqueza, mal-estar?
– Anemia.
– Considerando sua indagação, qual seria o sintoma de uma anemia espiritual?
Infelicidade?
Perfeito. Alma enfraquecida nos faz infelizes.

Após breve pausa, continuou:

– Diga-me: como curar a anemia do corpo?
– Transfusão de sangue.
– Num Centro Espírita, que tipo de transfusão seria útil à anemia espiritual?
– Magnetismo?
– Exato. O passe é eficiente transfusão de energia magnética, mas não basta. É preciso algo mais. Você diria que a transfusão de sangue cura o doente?
– Creio que apenas o fortalece. Seria preciso identificar e sanar o mal que provoca a anemia.
– Pois o mesmo ocorre com relação à anemia espiritual. O passe é uma medicação de superfície, alivia, melhora. A cura depende de identificar o mal que a está gerando. O que faz o médico na primeira consulta do paciente?
– Uma anamnese, um registro dos sintomas que o afligem, completando os dados com exames que lhe permitam diagnosticar o mal e prescrever os medicamentos.
– O Espiritismo nos ensina que os males da alma nascem de nossas fraquezas, vícios e sentimentos inferiores. Portanto, uma anamnese espiritual consistiria em que providência?
– Creio que numa avaliação de nosso comportamento, num empenho de reflexão para avaliar quem somos, quais nossos defeitos e virtudes.
– É isso mesmo. O médico tem o manual para os medicamentos do corpo. Qual seria o manual para tratamento da alma?
– Pelo que ouço nas palestras, o Evangelho.
Perfeito. Nas lições de Jesus está o roteiro para definir e superar males como orgulho, vaidade, egoísmo, prepotência, má vontade, indiferença, que promovem autênticas hemorragias psíquicas, favorecendo a anemia espiritual, que produz o quê?
A infelicidade...
– Sim, e, vencendo a infelicidade, habilitando-nos a …
– Ao citado estado de completo bem-estar físico, mental e social.

Recordo, caro leitor, o pregador do Eclesiastes (1:9), no Velho Testamento:
“O que foi, isso é o que há de ser, e o que se fez, isso se tornará a fazer. Nada há novo debaixo do Sol.”

O diálogo que reproduzi acima não constitui nenhuma novidade.

É apenas uma variação em torno de um tema básico. A tão sonhada felicidade está no empenho por aderirmos aos valores do Evangelho, que sintetizam o caminho para a vida abundante a que se referia Jesus, aquela energia que circula em nossas veias, quando nosso cérebro povoa-se de ideais e nosso coração pulsa ao ritmo de serviço no campo do Bem.

– Elementar, caro Leitor! – diria Sherlock Holmes.

Richard Simonetti

Conduta Espirita na Via Pública

Demonstrar, com exemplos, que o espírita é cristão em qualquer local.

A Vinha do Senhor é o mundo inteiro.

Colaborar na higiene das vias públicas, não atirando detritos nas calçadas e nas sarjetas.
As pessoas de bons costumes se revelam nos menores atos.

Consagrar os direitos alheios, usando cordialidade e brandura com todo transeunte, seja ele quem for.

O culto da caridade não exige circunstâncias especiais.

Cumprimentar com serenidade e alegria as pessoas que convivem conosco, inspirando-lhes confiança.

A saudação fraterna é cartão de paz.

Exteriorizar gentileza e compreensão para com todos, prestando de boamente informações aos que se interessem por elas, auxiliando as crianças, os enfermos e as pessoas fatigadas em meio ao trânsito público, nesse ou naquele mister.

Alguns instantes de solidariedade semeiam simpatia e júbilo para sempre.

Coibir-se de provocar alarido na multidão, através de gritos ou brincadeiras inconvenientes, mantendo silêncio e respeito, junto às residências particulares, e justa veneração diante dos hospitais e das escolas, dos templos e dos presídios.

A elegância moral é o selo vivo da educação.

Abolir o divertimento impiedoso com os mutilados, com os enfermos mentais, com os mendigos e com os animais que nos surjam à frente.

Os menos felizes são credores de maior compaixão.

Proteger, com desvelo, caminhos e jardins, monumentos e pisos, árvores e demais recursos de beleza e conforto, dos lugares onde estiver.

O logradouro público é salão de visita para toda a comunidade.

“Vede prudentemente como andais.” – Paulo. (Efésios, 5:15.)

André Luiz –  Waldo Vieira

É Carnaval! Sob o Império De Momo A “CARNIS” COBIÇA “VALLES”

A cada ano pessoas mergulham numa falsa felicidade de 3 dias de “folia” (1) seguida de 362 dias de novas e reconstruídas aflições. Será lícito confundir “diversão” passageira com alegria real? O carnaval é um desses delírios coletivos que costumam ser classificados como “extravasadores de energias reprimidas” – será mesmo? Em verdade o entrudo (2) representa o momento em que pessoas projetam o que há de mais irracional e de mais incivilizado em si mesmas.
Há quem afirme ser o período do carnaval marcado pelo “adeus à carne”, ou do latim “carne vale”, dando origem à palavra. Embora não haja unanimidade entre os estudiosos, a terminologia pode estar associada à ideia de encanto dos prazeres do corpo (carnal) marcado pela expressão “carnis valles”, sendo que “carnis” em latim significa carne e “valles” significa prazeres.
Já foi no passado a comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica (bacanália); na velha Roma imolava-se nessas ocasiões uma vítima humana (saturnália); na Idade Média era uma comemoração adotada pela Igreja romana, no século VI. Isso nos remete ao início do período da quaresma, uma pausa de 40 dias nos excessos cometidos durante o ano (mormente alimentação). (3) Assim, em sua origem não era apenas um período de reflexão espiritual, como também uma época de privação de certos alimentos como a carne.
Em Roma, em homenagem ao Deus Saturno, carros alegóricos (a cavalo) desfilavam com homens e mulheres. Eram os carrum navalis. O termo carnaval pode derivar das iniciais da frase: “carne nada vale”. Outra interpretação para a etimologia da palavra é a de que esta derive de currus navalis, expressão anterior ao Cristianismo e que significa carro naval. (4)
Há muitos séculos o carnaval era marcado por grandes festas, em que se comia, bebia e participava de frenéticas celebrações e busca incessante dos prazeres. (5) Prolongava-se por sete dias (de dezembro) nas ruas, praças e casas da antiga Roma. Todas as atividades e negócios eram suspensos nesse período; os escravos ganhavam liberdade temporária para fazer o que quisessem e as restrições morais eram relaxadas. Um rei era eleito por brincadeira e comandava o cortejo pelas ruas (saturnalicius princeps).
O carnaval atual é modelado na sociedade da corte (vitoriana) do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da homenagem a Momo para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas.
Um fato é incontestável: a cultura do carnaval estabelece tudo o que aguça o primarismo humano, volúpia, sensualidade e prazer. Não propomos quaisquer normas proibitivas ou restrição de anseios pessoais. Até porque temos o livre arbítrio, e viver na Terra é fazer as escolhas pessoais. Sem medo de correr o risco de ser taxado de moralista, lembro que a Lei de Causa e Efeito preconiza a obrigatoriedade da colheita em tudo o que foi semeado livremente.
Para todas as situações da vida, lembremos sempre da recomendação de Paulo de Tarso: “Todas as coisas me são lícitas”. Há os que julgam que a participação nas festas de Momo nenhum mal acarreta à integridade fisiopsicoespiritual. Divergimos desse ponto de vista.
A Doutrina Espírita nada proíbe, nem nada obriga, nem censura o carnaval; mas igualmente, não endossa sua realização. Sabe-se que durante a folia de Momo são perpetrados abusos de todos os tipos e, mormente, desregramentos da carga erótica de adolescentes, jovens, adultos e até velhos (mal resolvidos); há consumo exagerado de álcool e outras drogas, instalação da bestialidade generalizada, excessos esses que atraem espíritos vinculados ao deletério parasitismo magnético, semelhantes às hienas diante de carcaças deterioradas (carniças).
É verdade! A Doutrina Espírita nem apoia nem condena o carnaval; todavia clarifica muitos aspectos ligados ao evento. Inobstante não dite regras coercitivas, cremos que o espírita deve ter completa ciência das implicações infelizes advindas desses festejos alucinantes. Logicamente não precisa se condenar o carnaval, nem temer por acreditá-lo uma festa “diabólica”; não precisa evadir-se por receio de atração dos seus “encantos”, porém vigiar à distância da agitação. Se se aprecia o folguedo de Momo, deve-se ser um observador atento e equilibrado.

Referências:
(1) Do francês folle, que significa loucura ou extravagância sem que tenha existido perda da razão
(2) O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias.
(3) Excessos esses que incluem, segundo a crença da igreja romana, a alimentação
(4) Esta interpretação baseia-se nas diversões próprias do começo da Primavera, com cortejos marítimos ou carros alegóricos em forma de barco, tanto na Grécia como em Roma e, posteriormente, entre os teutões (povos germânicos que viveram no centro e norte da Europa).
(5) A Festa do deus Líber em Roma; a Festa dos Asnos que acontecia na igreja de Ruan no dia de Natal e na cidade de Beauvais no dia 14 de janeiro, entre outras inúmeras festas populares em todo o mundo e em todos tempos, têm esta mesma função.
(7) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 460, RJ: Ed FEB, 1990
(8) Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 1999

Jorge Hessen

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